Um juiz federal manteve grande parte do veredito de um júri que considerou Elon Musk responsável por ter enganado investidores durante a negociação de compra do Twitter, citando especificamente uma publicação feita em 13/05/2022. A decisão do magistrado Charles Breyer, da vara distrital de San Francisco, rejeitou o pedido do empresário para anular o resultado do julgamento, mas também determinou que ele não pode ser responsabilizado por uma das declarações impugnadas.

O que ocorreu

A ação coletiva foi proposta por acionistas que venderam papéis do Twitter enquanto a aquisição pela equipe de Musk estava em curso. Os autores afirmam que mensagens e informações públicas divulgadas pelo bilionário influenciaram o preço das ações durante tentativas de renegociação ou quando ele considerou abandonar o negócio, que foi concluído por US$ 44 bilhões.

O foco central do litígio é um tuíte publicado por Musk em 13/05/2022, no qual declarou que a compra estava “temporariamente suspensa” até que fossem obtidos dados sobre a quantidade de contas falsas e spam na plataforma. Após essa publicação, houve queda no valor das ações do Twitter, o que, segundo os demandantes, gerou prejuízos para quem vendeu ações nesse intervalo de incerteza.

Decisão judicial e consequências

Breyer manteve as principais conclusões alcançadas pelo júri — que, após quase três semanas de instrução e cerca de quatro dias de deliberação, entendeu em março que dois tuítes do executivo induziram investidores ao erro. O painel, porém, avaliou que uma declaração feita por Musk em um podcast configurava opinião, não declaração enganosa, e rejeitou a tese de que houve um plano deliberado de fraude ao mercado.

Além de negar o pedido para anular o veredito, o juiz também recusou a solicitação de Musk para retirar o caráter coletivo da ação. Outra determinação importante foi a autorização para que qualquer indenização eventualmente fixada seja acrescida de juros referentes ao período anterior à sentença.

Elon Musk pode ter de pagar indenização bilionária por tuíte de 13/05/2022

Imagem: Divulgação

Advogados dos investidores estimam que a decisão pode resultar em aproximadamente US$ 2,1 bilhões em indenizações relacionadas às ações, além de cerca de US$ 500 milhões relativos a opções de compra de ações, valor que ainda depende das próximas etapas processuais. Os autores sustentam que Musk buscava reduzir o preço da aquisição ou abandonar o acordo, após a queda das ações da Tesla ter aumentado o custo efetivo do negócio para o empresário.

Na disputa anterior entre Musk e o próprio Twitter, o empresário havia anunciado que não concluiria a compra, o que motivou uma ação da companhia para forçar o cumprimento do acordo; pouco antes do julgamento daquela ação, ele voltou a aceitar a aquisição pelos US$ 44 bilhões originalmente negociados.

Com informações de Olhardigital