Barão Vermelho faz São Paulo explodir em nostalgia e surpresas no “Encontro”
Quarteto original se reúne no Nubank Parque: 2h20 de clássicos, participações especiais e transmissão pela Band
O sábado, 23 de maio, transformou o Nubank Parque numa grande celebração do rock brasileiro. Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi e Maurício Barros comandaram uma noite que misturou hits, covers e homenagens — e foi transmitida pela Band, levando o reencontro a quem não pôde ir ao estádio.

No palco: recomeço, convidados e repertório que segurou a plateia
O show começou com leve atraso, mas foi direto ao ponto: a abertura com “Maior Abandonado” já deixou claro que a proposta era revisitar a história do grupo na primeira pessoa. Aos poucos, os músicos de apoio — entre eles Fernando Magalhães e o guitarrista Rafael Frejat — foram ocupando o palco, acrescentando camadas a um set que respirava rock, blues e emoção.
Das primeiras canções, muitas carregavam a assinatura de Frejat como vocalista; outras remeteram à fase com Cazuza. O equilíbrio entre sucessos conhecidos e escolhas menos óbvias manteve a plateia atenta: havia momentos para cantar em uníssono e instantes reservados à apreciação do instrumental.
A participação de Ney Matogrosso trouxe momentos de choque e reverência. Sua presença foi aplaudida antes mesmo de começar; interpretou composições ligadas ao universo de Cazuza e ainda revisitou Rita Lee em uma versão que ganhou tom próprio. A passagem de Ney em São Paulo foi menor que a do Rio, mas carregou o peso de um encontro entre gerações.
Homenagens pontuais marcaram a noite. Ícones do rock nacional foram citados, e o tributo a Luiz Carlini com “Ovelha Negra” emocionou ao unir projeção no telão, dois guitarristas dividindo o solo e um Frejat visivelmente comovido ao final.
Ao longo de duas horas e vinte minutos, o show navegou por 31 faixas: canções autorais, releituras e surpresas no bis, quando o quarteto original trouxe uma atmosfera quase íntima em “Bilhetinho Azul” antes da explosão final com “Pro Dia Nascer Feliz”.
Imagem: Divulgação
Alguns momentos chamaram atenção por detalhes de montagem: músicos clássicos do time de apoio alternaram entre destaque e recuo, e a escolha de alternar vozes — como Maurício Barros assumindo o vocal em uma faixa — reforçou a ideia de um espetáculo pensado para celebrar nomes e histórias.
O formato “Encontro”, que já aproximou outros grupos nostálgicos do público recentemente, funcionou como grande curador de memórias: mesclou a urgência do rock com a delicadeza das canções que atravessaram décadas, e mostrou que, mesmo em versões pontuais, o Barão ainda tem força de sobra para ocupar palcos enormes.
Repertório tocado no show em São Paulo (seleção de 31 faixas):
1. Maior Abandonado
2. Pedra, Flor e Espinho
3. Pense e Dance
4. Política Voz
5. Tão Longe de Tudo
6. Bete Balanço
7. Ponto Fraco
8. Meus Bons Amigos
9. Tente Outra Vez (Raul Seixas)
10. O Tempo Não Para (Cazuza)
11. Poema (com Ney Matogrosso)
12. Jardins da Babilônia (com Ney Matogrosso)
13. Blues da Piedade (com Ney Matogrosso)
14. Down em Mim
15. Todo Amor Que Houver Nessa Vida (com imagem e voz de Cazuza no telão)
16. Codinome Beija-Flor
17. Por Você
18. Amor, Meu Grande Amor (Angela Ro Ro)
19. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo (Erasmo Carlos)
20. Malandragem Dá Um Tempo (Bezerra da Silva, com Maurício no vocal)
21. Torre de Babel
22. Declare Guerra
23. Cuidado
24. Não Me Acabo
25. Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto (Legião Urbana)
26. Puro Êxtase
Bis:
27. Bilhetinho Azul
28. Ovelha Negra (homenagem a Luiz Carlini)
29. O Poeta Está Vivo
30. Por Que a Gente é Assim? (com Ney Matogrosso)
31. Pro Dia Nascer Feliz (com Ney Matogrosso)
Se houve pequenos dilemas de escalação e iluminação de nomes de apoio, nada disso tirou o brilho do encontro. A sensação ao final foi de que a noite cumpriu o papel de reunir fãs antigos e novos, reafirmar legados e lançar ao público uma experiência que mistura espetáculo e memória — com transmissão ao vivo para ampliar o alcance.
No final, fica o desejo: que esse reencontro não seja apenas uma data isolada, mas parte de mais momentos em que a banda permita ser vista assim, inteira e celebrada. Para os presentes e para quem assistiu pela Band, foi uma noite que ficou — e que ainda vai render conversas, compartilhamentos e lembranças.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6