Surpresa no Gobi: China lança o novo foguete reutilizável Long March 12B às 16h40
Lançamento não anunciado decola de Jiuquan — satélites Qianfan chegam à órbita baixa sem fechamento do espaço aéreo
Às 16h40 (Brasília, UTC-3) desta segunda-feira, um Long March 12B deixou a plataforma no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no Deserto de Gobi — e pegou o mundo de surpresa. Sem aviso prévio e sem os habituais alertas de bloqueio aéreo e marítimo, o veículo colocou em órbita dois satélites da constelação de internet Qianfan.
Decolagem sigilosa e confirmação oficial
A Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC) confirmou que as cargas úteis alcançaram a órbita terrestre baixa. O caráter não divulgado da operação chamou atenção: manobras desse tipo normalmente vêm acompanhadas de notificações para aviadores e navios, o que não ocorreu neste caso.
O que é o Long March 12B
O 12B é um modelo parcialmente reutilizável da nova geração chinesa. Tem dois estágios, cerca de 70 metros de altura e um primeiro estágio movido por nove motores que queimam querosene e oxigênio líquido — arquitetura que lembra o Falcon 9 da SpaceX, mas adaptada a ambições próprias da indústria chinesa.
Sem tentativa de pouso — a reutilização fica para depois
Nesta missão inaugural não houve tentativa de recuperar o primeiro estágio. A CASC afirma que testes de pouso serão feitos em voos futuros, ainda sem calendário divulgado. A manobra de agora foca em validar desempenho e colocar satélites em órbita com precisão.
Qianfan: a resposta chinesa às mega-constelações
Os dois satélites lançados integram a Qianfan — projeto chinês pensado para oferecer cobertura global de internet por meio de uma grande rede orbital. A estratégia espelha, em parte, a corrida iniciada por outras empresas internacionais, mas com equipamentos e logística desenhados para o ecossistema espacial local.
Uma corrida por reutilização em plena aceleração
O lançamento do 12B ocorre num momento de intensificação dos testes com veículos reutilizáveis na China. O Long March 12A tentou pouso no fim do ano passado e não obteve sucesso na recuperação, embora entregue a carga em órbita. Empresas privadas como Landspace e Space Pioneer também já testam conceitos semelhantes.
Imagem: Wang Jiangbo/Xinhua
Projetos a observar
Além dos Long March, aparecem no radar nacional projetos como o Kinetica-2 (CAS Space), o Pallas-1 (Galactic Energy) e o Nebula 1 (Deep Blue Aerospace). Juntos, representam uma aposta clara: reduzir custos de acesso ao espaço e competir no mercado global de lançamentos.
O que muda a partir daqui
O voo do Long March 12B mostra duas coisas: capacidade crescente de colocar constelações em órbita e vontade de acelerar a agenda de reutilização. A ausência de aviso prévio adiciona uma camada de incerteza operacional que deve atrair perguntas internacionais sobre protocolos de segurança e coordenação de tráfego aéreo e marítimo.
Fecho
O lançamento secreto de Jiuquan abre uma nova fase no programa espacial chinês: mais testes, mais lançamentos e um olhar fixo nas operações reutilizáveis. O próximo passo — pousos controlados e recuperação do primeiro estágio — promete definir se a China reduz custos e ganha fôlego frente aos rivais em um mercado cada vez mais disputado.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6