O El Niño que virou padrão: US$ 5,7 trilhões em prejuízos, 23 mil vidas e o sinal de alerta para 2026
O episódio de 1997–98 deixou o planeta em estado de emergência. Agora, medições apontam para um novo aquecimento no Pacífico — e ninguém sabe ainda a que escala.
O El Niño de 1997–98 não foi apenas um episódio climático: foi um choque global. Em menos de um ano, secas e enchentes, incêndios e surtos de doenças redesenharam paisagens e vidas. Estimativas calculam danos da ordem de US$ 5,7 trilhões e cerca de 23 mil mortes atribuídas ao fenômeno. Foi, até hoje, o El Niño mais severo já documentado — e suas marcas ainda influenciam como cientistas lêem o oceano.
Como tudo começou
Os sinais surgiram meses antes do pico. No final de 1996, bóias e satélites detectaram um aquecimento incomum nas águas do Pacífico equatorial. A faixa de água quente cresceu, avançando do litoral do Peru até a Nova Guiné. O calor submerso, dias depois, emergiu à superfície e transformou um evento local em crise global.
Por que foi tão intenso
Uma combinação de anomalias oceânicas e padrões atmosféricos ampliou o aquecimento. Temperaturas abaixo da superfície chegaram a valores muito acima do esperado, e quando esse calor sobe, altera ventos, chuvas e correntes. Pela primeira vez, redes de observação mais completas permitiram acompanhar o fenômeno do início ao fim — e comprovar sua força histórica.
Impactos sentidos em todos os continentes
O efeito foi desigual, mas abrangente. Regiões do Chifre da África enfrentaram enchentes que detonaram surtos de malária e cólera. O sudeste asiático viveu incêndios e estiagens. China, Japão e Coreia do Sul lidaram com tufões mais intensos. Na Amazônia, a seca favoreceu queimadas e um salto no desmatamento. Nos Estados Unidos, o padrão climático mudou estados para estados: enchentes e tempestades no sul, um inverno incomumente ameno no norte.
O que mudou desde então
Além das perdas humanas e econômicas, 1997–98 mudou a ciência climática. Foram intensificados os sistemas de monitoramento — mais bóias, satélites com resolução maior e modelos que cruzam dados oceano-atmosfera em tempo real. Isso permitiu identificar sinais precoces com maior antecedência, embora a previsão da intensidade continue sujeita a incertezas.
O risco que aparece para 2026
Hoje, pesquisadores registram tendência de aquecimento no Pacífico equatorial que pode evoluir para um novo El Niño até meados de 2026. Em termos práticos, isso significa aumento da vigilância global: modelos mostram probabilidade crescente, mas ainda discordância sobre magnitude e duração. Em outras palavras: o risco existe, mas a dimensão final segue em aberto.
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O que isso pode significar na prática
Se o aquecimento ganhar força, impactos já conhecidos podem se repetir — e, em regiões vulneráveis, se intensificar. Agricultura, recursos hídricos, infraestrutura e saúde pública são setores sensíveis. Fenômenos extremos tendem a se alinhar de forma complexa: onde chove demais, há risco de enchentes e surtos; onde falta chuva, seca e incêndios podem se espalhar.
Por que acompanhar as próximas semanas
As redes de observação e os centros meteorológicos vão publicar atualizações frequentes nas semanas seguintes. Pequenas oscilações na temperatura do Pacífico podem evoluir para mudanças substantivas no padrão climático global. Para além das previsões científicas, o que muda é a urgência em preparar sistemas de resposta e reduzir vulnerabilidades em áreas mais expostas.
Fecho: a lembrança que não passa
O El Niño de 1997–98 deixou lições duras: perdas econômicas gigantescas, vidas interrompidas e sistemas que mostraram fragilidade. O mundo agora observa um novo aquecimento no Pacífico com cautela — e com a memória viva do que já aconteceu. Nas próximas semanas, cada medição importará. O clima voltou a nos lembrar que eventos oceânicos podem redesenhar a realidade em escala planetária.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6