Exército aponta nova visão de ameaças na América do Sul e acelera uso de drones nas fronteiras

Em evento em Brasília, o comandante Tomás Paiva disse que o cenário regional mudou e defendeu maior presença tecnológica para proteger o território

O comandante do Exército, general Tomás Paiva, assumiu publicamente que o país hoje enxerga riscos concretos na América do Sul — uma realidade que, segundo ele, difere do passado. A declaração foi feita durante o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, realizado em Brasília no dia 27.

No encontro, empresas do setor exibiram aeronaves não tripuladas com capacidades que vão desde vigilância avançada até operações com potencial ofensivo. A demonstração, segundo a instituição, faz parte de uma agenda mais ampla para modernizar a proteção das fronteiras.

O recado é claro: tecnologia ocupará papel central nas estratégias de defesa. Para o Exército, drones e outros sensores ajudam a cobrir um território extenso e heterogêneo, aliado a demandas crescentes por controle de atividades ilícitas e monitoramento ambiental.

Tecnologia, território e consequência prática

O Brasil tem fronteiras que somam mais de 16 mil quilômetros, com trechos remotos e pouco patrulhados. É nesse contexto que a força terrestre busca ampliar sua capacidade de reconhecimento e reação por meios tecnológicos, não apenas por efetivo humano.

A apresentação das empresas despertou atenção pela diversidade de plataformas: modelos para inteligência em tempo real, cargas úteis para mapeamento e opções com maior autonomia de voo. A Força Terrestre ressalta a necessidade de integrar esses sistemas a centros de comando e a redes de informação já existentes.

Imagem: Divulgação

A fala do general também reacendeu o debate público sobre os limites e as implicações do uso militar de tecnologias. Autoridades destacam benefícios operacionais, enquanto setores da sociedade têm perguntado sobre regras de emprego, controles e transparência.





No horizonte imediato estão avaliações técnicas, testes e processos de aquisição que poderão acelerar a presença desses equipamentos nas áreas de fronteira. Especialistas e decisores acompanham o movimento atento ao equilíbrio entre eficácia, legalidade e impacto social.

Para o comando, a mudança de postura reflete uma nova percepção do ambiente regional: mais complexidade, maior necessidade de informação e um claro investimento em componentes tecnológicos para proteger o espaço nacional.