Na sexta-feira (9), uma maioria qualificada dos 27 países da União Europeia deu sinal verde à proposta de assinatura do acordo de livre-comércio com o Mercosul, segundo informações de diplomatas ao site Politico e confirmação da Reuters. O pacto, considerado o maior já negociado pelo bloco europeu, agora avança para as próximas instâncias decisórias.
Entre os opositores à assinatura estiveram França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, enquanto a Bélgica optou por se abster. Apesar das reticências, esses posicionamentos não foram suficientes para impedir o prosseguimento do processo. As capitais europeias têm até as 17h (horário de Bruxelas), equivalente a 13h em Brasília, para apresentar objeções formais.
O aval provisório foi concedido pelos embaixadores dos Estados-Membros reunidos em Bruxelas. Ainda nesta sexta, o Conselho Europeu deverá debater o tema. Caso o texto seja aprovado definitivamente, seguirá para votação no Parlamento Europeu. Em caso de aprovação também nessa etapa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá se deslocar ao Paraguai na segunda-feira (12) para a assinatura formal com os países do Mercosul.
O Paraguai ocupa, desde 20 de dezembro de 2025, a presidência rotativa do bloco sul-americano, sucedendo o Brasil no comando das negociações.
Salvaguardas agrícolas e vetos
O texto acordado inclui mecanismos adicionais de proteção ao setor agrícola da União Europeia. Em caso de aumento abrupto de importações de produtos oriundos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o tratado prevê a adoção de medidas compensatórias. Essas salvaguardas foram inseridas após forte resistência de países como França e Irlanda, preocupados com impactos em seus mercados internos.
No dia anterior à votação, o presidente francês Emmanuel Macron reafirmou a intenção de votar contra o pacto, argumentando que ele traria “benefícios limitados para o crescimento francês e europeu” e exporia setores agrícolas sensíveis. Já a Irlanda, representada pelo vice-primeiro-ministro Simon Harris, considerou insuficientes as contrapartidas propostas pela Comissão Europeia para atender às demandas do setor rural.
Imagem: Divulgação/Governo do Paraguai
A Itália, que havia bloqueado a assinatura em dezembro de 2025, redefiniu sua posição após a inclusão de cláusulas que restringem importações em setores considerados críticos. Com cerca de 59 milhões de habitantes, o país era essencial para atingir o quórum mínimo de 15 Estados-Membros representando 65% da população do bloco.
Histórico das negociações
As negociações entre a UE e o Mercosul começaram em junho de 1999, durante a primeira Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América Latina, do Caribe e da União Europeia, realizada no Rio de Janeiro. Na época, o encontro marcou o início dos esforços para consolidar um tratado bilateral de cooperação econômica entre os dois blocos.
Com a etapa de embaixadores concluída e as deliberações no Conselho Europeu em andamento, o acordo aguarda apenas o aval final das instituições europeias para seguir ao Parlamento e, posteriormente, à assinatura oficial.
Com informações de Conexaopolitica

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6