Pesquisadores da ETH Zurich identificaram que a quantidade de oxigênio presente durante a formação do núcleo terrestre, há cerca de 4,6 bilhões de anos, foi essencial para tornar a Terra um ambiente favorável ao surgimento da vida. O trabalho, conduzido por Craig Walton e Maria Schönbächler no Centre for Origin and Prevalence of Life, foi publicado em 9 de fevereiro na revista Nature Astronomy.

Segundo os autores, o nível exato de oxigênio determinou o comportamento de elementos cruciais como o fósforo e o nitrogênio, mantendo-os disponíveis no manto e na crosta. Em condições com oxigênio insuficiente, o fósforo se combina com ferro e afunda no núcleo, tornando-se inacessível para processos biológicos, como a formação de DNA e RNA. Por outro lado, um excesso de oxigênio favoreceria a fuga de nitrogênio para o espaço.

A zona Goldilocks química

O estudo descreve essa faixa estreita de oxigênio como uma “zona Goldilocks química”, na qual o planeta retém quantidades adequadas de ambos os elementos. As modelagens mostram que, caso a concentração de oxigênio fosse ligeiramente maior ou menor, o equilíbrio se perderia e não haveria fósforo nem nitrogênio suficientes para sustentar formas de vida conhecidas.

“Nossos modelos indicam que a Terra está precisamente dentro desse intervalo. Pequenas variações no teor de oxigênio teriam comprometido o estoque de fósforo e nitrogênio”, explicou Walton em comunicado. Essa descoberta sugere que o surgimento de vida depende de uma condição química rara e não apenas da presença de água líquida.

As simulações também foram aplicadas a outros planetas rochosos, como Marte. No caso marciano, os resultados apontam para um manto mais rico em fósforo, porém com nitrogênio insuficiente, o que torna o ambiente inóspito à biologia como a conhecemos.

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Os autores destacam que a composição química de um planeta reflete a do seu astro natal. Como os planetas se formam a partir do mesmo material que compõe a estrela, analisar a abundância de oxigênio estelar pode ajudar a identificar sistemas com potencial para desenvolver mundos quimicamente equilibrados.

“Para refinar a busca por vida fora do sistema solar, devemos focar em estrelas com características químicas similares às do Sol”, concluiu Walton.

Com informações de Olhardigital