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A imagem dos Estados Unidos sofreu abalos a três meses do início da Copa do Mundo, com retórica agressiva contra imigrantes, atritos diplomáticos e ações internas que geram preocupações entre torcedores e aliados, apesar do sucesso nas vendas de ingressos e da expectativa por estádios lotados.

Tensões diplomáticas e medidas polêmicas

O torneio será o primeiro Mundial com 48 seleções e 104 jogos, organizado em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México. Entretanto, observadores apontam que a política externa e interna do governo do presidente Donald Trump, de volta à Casa Branca no ano passado, complicou as relações com vizinhos e parceiros históricos.

Desde que reassumiu, Trump declarou uma guerra tarifária global, fez comentários sobre transformar o Canadá em um “51º estado” dos EUA e ameaçou uso de força militar caso o México não reforçasse o combate ao narcotráfico. As relações com a Europa também foram afetadas por episódios como a tentativa de compra da Groenlândia e mudanças na postura sobre a Ucrânia. No Oriente Médio, ações conjuntas com Israel contra o Irã elevam o risco de a seleção iraniana, já classificada, não participar do Mundial.

Suspensão de vistos e incertezas para torcedores

Em meados de janeiro, o governo anunciou a suspensão de vistos para imigrantes de 75 países, medida que atinge quatro seleções qualificadas: Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim. As autoridades americanas afirmaram que a suspensão não abrange vistos de turista e, por isso, quem comprou ingressos poderia obter autorizações de viagem. A administração e a Fifa criaram procedimentos acelerados para agendamento em consulados, mas não há garantia de emissão pontual dos vistos.

Também foi apresentada uma proposta que exigiria histórico de cinco anos de redes sociais por parte dos solicitantes de visto, o que poderia gerar nova fonte de incerteza para milhares de torcedores. Minky Worden, diretora de Iniciativas Globais da Human Rights Watch, afirmou que a Fifa não pode assegurar segurança a turistas nos EUA sem garantias do governo de que visitantes não serão presos, detidos ou deportados durante a estada.

Medidas internas e clima de insegurança

Com cerca de 100 dias para o início do Mundial, o discurso presidencial e operações de imigração dividiram o país. Em dezembro e janeiro, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) realizou uma operação em Minneapolis para deter imigrantes em situação irregular; prisões descritas como, por vezes, brutais, provocaram protestos nos quais dois manifestantes foram mortos por agentes federais. O temor de ações do ICE, apontadas como direcionadas a pessoas negras ou de sotaque hispânico, pode alterar os planos de visitantes.

Julien Adonis Kouadio, presidente do comitê oficial de torcedores da Costa do Marfim, advertiu sobre o risco de perder o espírito do futebol se forem criados muitos obstáculos que impeçam os torcedores de aproveitar o evento. O pesquisador Tim Elcombe, da Universidade Wilfrid Laurier, disse que, diferente de edições anteriores em que países tentaram se mostrar acolhedores, o governo americano estaria usando o torneio para afirmar poder e excepcionalismo, e não para “limpar” a imagem do país.

Violência no México e preocupação com sedes

As preocupações também se estendem ao México, onde a morte do líder de um grande cartel do narcotráfico em operação militar desencadeou uma onda de violência em diversas regiões, afetando zonas turísticas e Guadalajara, cidade que sediará quatro partidas. Apesar disso, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse à AFP que está “muito tranquilo” sobre os jogos no México, e a presidente do país, Claudia Sheinbaum, garantiu que não existe “nenhum risco” para os torcedores.

*Conteúdo produzido pela AFP

Com informações de Gazetaesportiva