Os Estados Unidos empregaram pela primeira vez em combate o sistema de ataque não tripulado LUCAS, criado pela startup SpektreWorks por meio de engenharia reversa do drone iraniano Shahed. A ação, realizada na última semana, teve como alvo infraestruturas e sistemas de defesa aérea no Irã e foi apresentada como resposta a ataques iranianos que atingiram aeroportos, hotéis e embaixadas em países do Golfo Pérsico, incluindo Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Mudança na lógica de combate: produção em massa de drones baratos

Reportagem publicada pelo The New York Times em 7 de março de 2026 destaca que a utilização do LUCAS reflete uma mudança no foco do Pentágono, que passa a privilegiar a fabricação em larga escala de armamentos baratos e descartáveis em vez de depender apenas de sistemas milionários tradicionais. O LUCAS foi concebido com base no Shahed iraniano, considerado simples, de baixo custo e suficientemente eficaz para sobrecarregar defesas aéreas adversárias.

O Shahed, usado em ataques no Golfo Pérsico, tem aproximadamente três metros de comprimento e custa cerca de US$ 35 mil (aproximadamente R$ 184 mil). Ele pode percorrer centenas de quilômetros após receber coordenadas pré-programadas, e seu emprego pelo Irã visa causar pânico, desestabilizar economias e demonstrar capacidade por meio de imagens de explosões divulgadas na mídia.

Em contraste com mísseis de cruzeiro mais caros, a diferença de custo é significativa: um Tomahawk tem preço aproximado de US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 13 milhões). Além disso, a interceptação desses drones pode sair mais cara do que o próprio equipamento — um disparo para derrubar um Shahed pode custar até US$ 3 milhões (em torno de R$ 16 milhões), segundo a reportagem.

Prós, contras e lições de conflitos recentes

Entre as vantagens apontadas para modelos como LUCAS e Shahed estão o baixo custo, a rapidez de produção — o LUCAS foi desenvolvido em 18 meses — e a capacidade de forçar o adversário a empregar defesas dispendiosas. Por outro lado, esses aparelhos são lentos, barulhentos, carregam pouco explosivo e podem ter a navegação comprometida por interferência eletrônica.

A experiência da Ucrânia é citada como referência: o conflito mostrou que a Rússia montou fábricas para drones de estilo Shahed e introduziu aprimoramentos que foram compartilhados com o Irã. Ao mesmo tempo, as forças ucranianas desenvolveram expertise para abater esses drones, recorrendo a metralhadoras e sensores acústicos que detectam o som característico de motor similar ao de cortador de grama.

Imagem: Divulgação

O futuro: produção em massa e inteligência artificial

O New York Times também relata que o uso desses sistemas tende a crescer. O governo dos Estados Unidos destinou US$ 1,1 bilhão (aproximadamente R$ 6 bilhões) a um programa voltado à construção de milhares de drones de ataque. O passo seguinte previsto é empregar inteligência artificial para aumentar a autonomia e eficácia desses aparelhos, permitindo voo em “enxames” e operações coordenadas com caças tripulados.

O emprego do LUCAS marca, segundo analistas citados pelo jornal, uma nova etapa na evolução das capacidades militares, em que o poder de produção e a inovação rápida passam a ter papel central nas estratégias de combate.

Com informações de Olhardigital