Um estudo publicado na revista Nature, conduzido pela Universidade de Oxford em conjunto com 17 instituições, apresenta evidências genéticas de que a relação entre humanos e caninos remonta a pelo menos 14.200 anos atrás. A análise de restos antigos encontrados na Europa indica que a aproximação entre lobos e populações humanas antecedeu a agricultura e o sedentarismo.

O que revela a pesquisa

Os resultados mostram que a domesticação dos cães não foi um evento isolado e imediato, mas um processo gradual. A convivência teria se intensificado quando lobos menos ariscos aproximavam-se de acampamentos humanos em busca de restos alimentares, sendo incorporados aos grupos como parceiros nas caçadas e na defesa.

Como e por que ocorreu a domesticação

Durante a Era do Gelo, a colaboração entre humanos e caninos teria aumentado a eficiência na captura de grandes mamíferos, além de oferecer proteção em ambientes hostis. A cooperação mútua — comida e abrigo por parte dos humanos, sentidos aguçados e auxílio na caça por parte dos caninos — favoreceu a formação de uma relação duradoura.

Vantagens práticas da parceria

A presença de caninos trouxe benefícios imediatos aos grupos de caçadores-coletores: proteção contra predadores maiores, rastreamento de presas em longas jornadas, alerta de ameaças e apoio emocional em contextos de isolamento. Com o tempo, funções dos cães se diversificaram, alcançando atividades como pastoreio e guarda de acampamentos.

Marcos biológicos e comportamentais

Comparações entre lobos primitivos e cães antigos identificam diferenças claras: os lobos eram descritos como mais agressivos e esquivos, com crânios mais largos e robustos e dieta predominantemente carnívora; já os cães antigos apresentavam comportamento mais dócil e sociável, crânios menores e mais curtos, e uma alimentação mais onívora, aproveitando restos humanos. Estudos genéticos permitem rastrear essa diferenciação ao longo dos séculos.

Evidências genéticas indicam que cães eram companheiros humanos há pelo menos 14.200 anos

Imagem: Divulgação

Processo complexo e efeitos na espécie humana

Os cientistas ressaltam que a domesticação pode ter ocorrido de forma independente em várias regiões, e não como um único episódio. Além dos benefícios práticos, a interação entre humanos e cães desenvolveu uma resposta neuroquímica compartilhada: o contato visual prolongado estimula a liberação de ocitocina, hormônio associado ao vínculo afetivo, o que ajudou a solidificar essa relação.

Na pré-história, especialmente em invernos rigorosos, a presença de caninos junto às fogueiras aumentou as chances de sobrevivência térmica e de sucesso nas caçadas, contribuindo para a expansão humana em territórios frios e inóspitos.

Com informações de Olhardigital