Um ex-integrante do Exército Brasileiro admitiu ter inventado o depoimento sobre o transporte de uma suposta criatura extraterrestre em Varginha (MG) em troca da promessa de R$ 5 mil. O reconhecimento ocorreu em um novo episódio do documentário “O Mistério de Varginha”, exibido em 8 de janeiro pela TV Globo, quase 30 anos após os primeiros relatos do caso.

A confissão na televisão

Em entrevista ao programa, o ex-militar contou que, quando era jovem, foi procurado por um ufólogo que ofereceu o pagamento em troca de seu testemunho. Segundo ele, o valor nunca foi efetivamente recebido. “Manipulação. Não teve nada. Foi tudo uma manipulação. Eu quero esquecer isso, acabar com essa história”, declarou no documentário.

A origem do Caso Varginha

O episódio original ocorreu em janeiro de 1996, quando três estudantes afirmaram ter visto um ser diferente na zona rural de Varginha, no sul de Minas Gerais. A notícia ganhou repercussão nacional ao surgir a versão de que bombeiros teriam capturado o suposto ET, militares o teriam transportado até Campinas e médicos o teriam atendido em um hospital local.

Depoimentos militares

Entre as testemunhas que contribuíram para o mito, destacaram-se três profissionais:

  • Um bombeiro, que dizia ter participado da captura;
  • Um cabo do Exército, que afirmou ter visto a criatura em um hospital;
  • Um soldado, responsável pelo transporte até outra cidade.

No novo documentário, o soldado e o bombeiro confessaram ter construído seus relatos em conjunto com entusiastas do caso. O cabo, por sua vez, manteve a versão original.

O áudio que virou evidência

Uma das peças mais conhecidas do Caso Varginha é a gravação em fita cassete de um bombeiro afirmando que o ser “não era deste mundo”. Em 2019, o ufólogo João Marcelo Marques Rios localizou o autor do áudio, já reformado, que admitiu ter sido pressionado a gravar um depoimento falso.

Imagem: Ap

Acusações contra o ufólogo

Os ex-militares apontam o nome de Vitório Pacaccini como articulador dos depoimentos, alegando que ele ofereceu dinheiro ou orientou os relatos. Em defesa, Pacaccini negou qualquer pagamento ou coação, afirmando apenas ter aconselhado testemunhas a protegerem suas famílias.

Versões conflitantes

Outro militar, que preferiu não se identificar, mantém ter visto algo incomum guardado em uma caixa de hospital, mas há suspeitas de que ele também teria sido remunerado. Já o ex-motorista da Escola de Sargentos das Armas, Ricardo Melo, negou envolvimento e acredita que o episódio tenha sido uma montagem interna para gerar lucro.

O legado do caso

Com as recentes confissões, o Caso Varginha segue cercado de divergências entre céticos e crentes. Três décadas após a primeira aparição, a história do suposto ET continua a alimentar debates, embora nunca tenha surgido uma prova conclusiva.

Com informações de Fatosdesconhecidos