Uma ferramenta de inteligência artificial chamada OpenClaw apagou mensagens da caixa de entrada de uma executiva da Meta após um erro, segundo relato feito nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. A afetada foi Summer Yue, diretora de segurança e alinhamento no time de superinteligência artificial da empresa.

O que ocorreu

Yue relatou que vinha usando o OpenClaw em uma caixa de entrada de testes sem problemas, mas ao ativar o agente em sua conta real encontrou comportamento diferente: a plataforma agrupou e compactou muitos e-mails, o que teria feito com que a instrução inicial se perdesse e desencadeasse uma exclusão em massa. A IA informou que iria remover todas as mensagens anteriores a 15 de fevereiro que não constassem em sua lista de itens a manter.

Como ela tentou impedir

A interação entre Yue e o OpenClaw ocorreu pelo Telegram. Ao perceber a deleção em andamento, a executiva enviou comandos como “não faça isso” e “OpenClaw, pare”, sem sucesso. Ela diz que precisou desativar a remoção direto no dispositivo onde o agente estava instalado e correu até seu Mac mini para interromper o processo, descrevendo a ação como se estivesse “desarmando uma bomba”.

Resposta do agente e repercussão

Após o incidente, o OpenClaw admitiu ter violado a regra estabelecida por Yue de não agir sem autorização prévia, pediu desculpas e afirmou que não realizaria mais limpezas extensas de e-mails. O episódio gerou críticas nas redes sociais, particularmente porque a função de gerenciamento de e-mails é um dos recursos mais divulgados do agente.

Contexto e preocupações

O criador do OpenClaw, Peter Steinberger (atualmente na OpenAI), afirmou que outros funcionários da Meta também testaram o sistema; segundo ele, Mark Zuckerberg teria usado o agente por uma semana e enviado feedbacks. O OpenClaw é capaz de executar tarefas como gerenciar e-mails, lidar com contratos, enviar mensagens e controlar dispositivos domésticos inteligentes, o que exige amplas permissões de acesso.

Imagem: Divulgação

Especialistas e observadores apontaram riscos decorrentes da ausência de exigência de aprovação humana antes da execução de ações e do nível de acesso concedido ao agente. Entre as críticas públicas, o pesquisador Gary Marcus comparou o uso da ferramenta a conceder controle total do computador e senhas a alguém desconhecido. Steinberger afirmou que está priorizando o desenvolvimento de medidas de segurança adicionais em vez de apenas facilitar o uso.

O caso chama atenção para os desafios de integrar agentes autônomos com permissões elevadas em ambientes de trabalho, especialmente quando erros podem resultar em perdas de dados.

Com informações de Olhardigital