Um estudo japonês realizado ao longo de 20 anos concluiu que mamíferos não podem ser clonados de forma indefinida sem sofrer falência biológica. Pesquisadores usaram camundongos e repetiram o procedimento de transferência nuclear de células somáticas por várias gerações para avaliar se cópias sucessivas poderiam manter a integridade do genoma e a saúde dos indivíduos.
Quem, o que, quando e onde
Uma equipe de cientistas no Japão conduziu, durante duas décadas, um experimento que aplicou repetidas clonagens em camundongos. Os resultados foram publicados em artigo na Nature Communications, que descreve o comportamento do genoma e das células ao longo de sucessivas transferências nucleares.
Como o experimento foi conduzido
Os pesquisadores realizaram múltiplos ciclos de transferência nuclear de células somáticas, gerando gerações sucessivas de clones a partir de cópias anteriores. O objetivo foi observar se era possível perpetuar linhagens por cópia direta sem introduzir variabilidade genética pela reprodução sexual.
Por que a linhagem entra em colapso
Os dados mostram que as primeiras gerações aparentaram desenvolvimento e fertilidade normais, mas problemas começaram a se acumular com o tempo. Cientistas apontam para o chamado “ruído epigenético”: pequenas alterações na regulação gênica que não são restauradas entre clonagens. Entre as manifestações observadas estão perda de integridade dos telômeros, metilação anômala do DNA, queda do vigor reprodutivo e aumento de malformações congênitas.
Quando surgem os sinais de degeneração
Segundo o estudo, anomalias físicas e queda na expectativa de vida aparecem por volta da 15ª geração. A progressão continuou até que, na 25ª geração, as linhagens sofreram um colapso biológico que tornou inviável a continuação das clonagens.
Principais achados quantitativos
O experimento também quantificou a integridade genômica por faixas de gerações:
Imagem: Divulgação
- 1ª a 10ª gerações: integridade genômica alta (95%+), estado estável;
- 11ª a 20ª gerações: integridade moderada (≈70%), com sinais de degeneração;
- 21ª a 25ª gerações: integridade baixa (<30%), culminando em colapso total.
Limitações técnicas e implicações
Os autores ressaltam que, embora ferramentas como edição genética (por exemplo, CRISPR) permitam correções pontuais, o desgaste acumulado nas linhagens clonadas é sistêmico e envolve interações moleculares complexas que ainda não podem ser revertidas. Pesquisas sobre possíveis estratégias de “rejuvenescimento” químico das células-tronco são citadas, mas os riscos, como indução de tumores e instabilidade genômica, permanecem elevados.
Impacto para conservação de espécies
Para a conservação, o estudo serve de alerta: a clonagem de múltiplos indivíduos a partir de um único doador não garante a sobrevivência de populações a longo prazo. A ausência de diversidade genética pode levar, em poucas décadas, a populações vulneráveis ao colapso por falhas biológicas internas. Os pesquisadores destacam a importância de preservar habitats e manter variabilidade genética natural.
O trabalho estabelece um limite claro entre regeneração natural e tentativas de replicação artificial contínua, mostrando que a cópia idêntica indefinida esbarra em barreiras epigenéticas e moleculares.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6