O uso ou não de cueca voltou a ser tema nas redes sociais e levantou dúvidas sobre possíveis efeitos na saúde íntima masculina, sobretudo em relação à fertilidade. Enquanto há quem associe a ausência da peça a melhora na produção de espermatozoides, outros defendem a importância do suporte e da proteção oferecidos pela roupa íntima. A questão envolve higiene, conforto, ventilação da região genital e eventuais repercussões na função testicular.

A decisão por usar cueca, escolher modelos mais folgados ou ficar sem a peça depende de fatores físicos, rotina e contexto. Temperatura do escroto, tipo de tecido, grau de compressão e clima local influenciam a saúde da pele e o bem-estar. Conhecer o que a ciência já avaliou evita interpretações exageradas sobre o tema.

Uso de cueca e fertilidade masculina

Pesquisas sobre reprodução humana investigam se a roupa íntima afeta produção e qualidade dos espermatozoides. A hipótese central é que peças muito apertadas elevam a temperatura escrotal, o que poderia prejudicar a função testicular, já que a bolsa escrotal fica fora da cavidade abdominal para manter os testículos alguns graus abaixo da temperatura corporal.

Estudos das últimas décadas, incluindo observacionais em universidades internacionais, indicam que cuecas mais largas ou a ausência da peça podem apresentar uma leve melhoria em parâmetros do sêmen, como contagem de espermatozoides. Especialistas, porém, salientam que o efeito é pequeno quando comparado a fatores como tabagismo, obesidade, idade avançada, varicocele, consumo excessivo de álcool e exposição prolongada a calor intenso.

Até 2026 não há consenso de que apenas optar por não usar cueca altere, isoladamente, a capacidade de um homem ter filhos. Observa-se uma influência moderada na temperatura local e, em alguns casos, em marcadores laboratoriais, mas a avaliação da fertilidade deve considerar o conjunto de hábitos e condições clínicas.

Material e modelo influenciam a saúde íntima

O tipo de cueca e o tecido são relevantes para a saúde íntima. Modelagens muito justas podem aumentar atrito, umidade e temperatura, favorecendo irritações e infecções fúngicas superficiais. Tecidos respiráveis permitem melhor troca de calor e reduzem acúmulo de suor.

O algodão é frequentemente recomendado por ser macio, absorver a umidade e reter menos calor em relação a muitos sintéticos. Fibras sintéticas, especialmente quando combinadas com modelagens apertadas, podem tornar o ambiente mais abafado, sobretudo em climas quentes e úmidos.

Orientações práticas citadas por especialistas incluem escolher tamanho adequado para não comprimir os testículos, priorizar ventilação com tecidos leves, reduzir atrito quando há escroto volumoso e trocar a roupa íntima com frequência em situações de calor ou sudorese intensa.

Riscos de ficar sem cueca e cuidados

Ficar sem cueca pode aumentar a ventilação e reduzir levemente a temperatura local quando a pessoa usa roupas externas leves e largas. No entanto, também eleva o risco de atrito direto com tecidos ásperos, lesões por zíper, maior tração do escroto e retenção de umidade dependendo do vestuário externo.

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Durante exercícios, a ausência de suporte pode aumentar a mobilidade dos genitais, gerando desconforto e risco de pequenos traumas; por isso, profissionais de saúde esportiva recomendam peças com sustentação ou acessórios específicos em atividades de maior impacto.

Como escolher a melhor opção

A escolha ideal equilibra conforto, higiene e ventilação. Em locais muito quentes, modelos folgados de algodão e trocas frequentes costumam favorecer saúde da pele e bem-estar. Em situações de esforço físico, opções com suporte reduzem impacto e atrito.

De forma geral, recomenda-se evitar cuecas excessivamente apertadas por longos períodos, priorizar tecidos respiráveis, manter higiene diária e adequar o tipo de peça à atividade. Ajustes simples na rotina e acompanhamento médico diante de dúvidas ajudam a preservar a saúde reprodutiva e o conforto diário.

O ciclo completo de produção de espermatozoides dura entre 70 e 90 dias, e melhorias por mudança de hábitos tendem a aparecer ao longo de alguns meses. A fertilidade masculina também é afetada por idade — com quedas graduais observadas em média a partir dos 40–45 anos — e por fatores como uso de esteroides anabolizantes, infecções sexualmente transmissíveis (como clamídia e gonorreia), exposição ocupacional a calor ou a substâncias químicas e estilo de vida (tabaco, álcool, sedentarismo e obesidade). Exames iniciais incluem o espermograma, e complementares podem envolver dosagens hormonais (testosterona, FSH, LH, prolactina), ultrassom escrotal, testes de fragmentação de DNA espermático e, em alguns casos, exames genéticos.

Casais com menos de 35 anos devem procurar avaliação após 12 meses de tentativas regulares sem contracepção; para casais acima de 35 anos, o recomendado é buscar ajuda após cerca de 6 meses. Homens com fatores de risco conhecidos podem ser orientados a procurar avaliação mais cedo.

Com informações de Correiobraziliense