Uma estrutura circular observada em imagens do Google Earth pode ser uma cratera de impacto antiga com aproximadamente 25 quilômetros de diâmetro, localizada na região de Côte-Nord, em Quebec, no Canadá. A suspeita surgiu a partir de uma observação casual e levou pesquisadores a uma investigação de campo para confirmar sua origem.

Quem, quando e onde

O primeiro sinal foi notado em 2024 pelo astrônomo amador Joël Lapointe, que procurava rotas para uma viagem de acampamento e percebeu um padrão incomum no terreno próximo ao lago Marsal. Lapointe registrou a possibilidade na plataforma colaborativa Impact Earth, ligada à Western University.

Como a hipótese foi investigada

No ano seguinte, o geólogo planetário Gordon Osinski visitou a área e encontrou evidências que sustentam a hipótese de impacto extraterrestre. A formação recebeu o nome Uhackatik após aprovação do Conselho Innu de Ekuanitshit, por estar situada em terras tradicionais desse povo indígena.

Sinais de impacto

Durante a expedição, os pesquisadores identificaram sinais clássicos associados a impactos antigos, conhecidos como efeitos de metamorfismo de choque. Entre os indícios documentados estão rochas que parecem ter sido derretidas pelo evento e recristalizadas, cones de fragmentação produzidos pela onda de choque, alterações microscópicas em minerais e possíveis marcas químicas resultantes de temperaturas extremamente altas.

Osinski comentou que encontrar materiais formados por fusão de impacto preservados no local foi inesperado, já que esse tipo de registro geológico costuma ser apagado pela erosão ao longo do tempo. Esses materiais, segundo o pesquisador, se assemelham a rochas vulcânicas pela aparência, porque esfriaram e cristalizaram após o derretimento inicial.

Imagem: Divulgação

Importância científica

Crateras muito antigas são difíceis de reconhecer na Terra por causa de processos geológicos que modificam a paisagem. Por isso, a Uhackatik pode se tornar um ponto de referência para estudos sobre impactos planetários e comparações com crateras usadas em pesquisas sobre a Lua e Marte. Osinski comparou a nova formação à cratera Kamestastin, também no Canadá, por similaridade de tamanho.

Os cientistas seguem analisando amostras levadas do local para buscar evidências adicionais, como alterações químicas induzidas pelo calor do impacto e deformações em minerais como o quartzo. Além desse trabalho, Osinski continuará participando de pesquisas relacionadas à exploração espacial e integrará equipes de geologia que darão suporte a futuras missões Artemis à Lua.

Com informações de Olhardigital