TRANSMISSÃO: Record
Mais de 700 empregados da Covalen, prestadora de serviços da Meta em Dublin, receberam na terça-feira (28) a notícia de que seus cargos estão em risco, segundo relatos publicados pela WIRED. A comunicação ocorreu por meio de uma breve videoconferência sem espaço para perguntas, de acordo com o trabalhador Nick Bennett, que participou da chamada.
Cerca de 500 dessas pessoas atuam como anotadores de dados, função responsável por revisar conteúdos gerados pelos modelos de inteligência artificial da Meta para identificar possíveis violações às regras contra material perigoso ou ilegal. Em mensagens por e-mail consultadas pela WIRED, a justificativa apresentada pela empresa para as demissões apontou para “redução de demanda e requisitos operacionais”.
A Meta, por sua vez, confirmou que pretende adotar sistemas de IA mais avançados nos próximos anos para diminuir a dependência de fornecedores externos na moderação de conteúdo, o que motivaria a redução de contratos com empresas terceirizadas.
Funcionários que realizavam essas tarefas apontaram a contradição entre treinar modelos e perder o emprego. “É essencialmente treinar a IA para tomar nossos empregos”, disse um trabalhador anônimo à WIRED, acrescentando que os anotadores replicavam decisões humanas para que a IA aprendesse a imitar o julgamento humano. Bennett descreveu a atividade como pesada, com anotadores construindo prompts complexos para testar e contornar barreiras de segurança em situações que envolvem, por exemplo, material de abuso sexual infantil ou descrições de suicídio.
Segunda rodada de cortes na Covalen
Esta não é a primeira onda de demissões na Covalen em Dublin: em novembro do ano passado, cerca de 400 funcionários já tinham sido dispensados, um episódio que levou à realização de greve por parte da equipe. Com as duas etapas somadas, o Sindicato dos Trabalhadores em Comunicações (CWU) afirma que a força de trabalho local poderá ficar reduzida quase pela metade.
Além da demissão, os trabalhadores afetados encaram uma restrição de seis meses durante a qual não poderão se candidatar a vagas em outras empresas que prestam serviços para a Meta. O CWU busca negociar compensações e pretende discutir com o governo irlandês os impactos da automação no setor. “As empresas de tecnologia estão tratando os trabalhadores cujo trabalho e dados ajudaram a construir a IA como descartáveis”, afirmou Christy Hoffman, secretária-geral da UNI Global Union.
Imagem: Marcelo Salvatico/Canaltech
O caso da Covalen se insere em um contexto mais amplo de cortes vinculados à adoção de IA. Recentemente, a Meta comunicou redução de 10% do quadro global — cerca de 8 mil pessoas — e cancelou aproximadamente 6 mil vagas abertas. A companhia projeta investir US$ 135 bilhões em IA em 2026, valor que, segundo a Bloomberg, equivale ao total aplicado nos três anos anteriores combinados. Em janeiro, o CEO Mark Zuckerberg disse esperar que 2026 seja o ano em que a IA transforme radicalmente as formas de trabalho.
Na própria Meta, 2026 já registra três rodadas de demissões: em janeiro mais de mil vagas no Reality Labs foram cortadas; em março foram desligadas outras 700 pessoas; e, agora, a nova onda atinge contratados de fornecedores. O movimento de redução de pessoal não é exclusivo da Meta: o site Layoffs.fyi indica mais de 92 mil demissões no setor de tecnologia apenas em 2026 até o momento, totalizando quase 900 mil desde 2020. Entre as empresas citadas, a Amazon demitiu mais de 30 mil funcionários, a Oracle reduziu mais de 10 mil postos, e a Microsoft anunciou programas de saída voluntária que podem atingir cerca de 7% do seu quadro nos EUA.
O anúncio desta semana na Covalen segue o padrão de empresas de tecnologia que alegam avanços em IA como justificativa para diminuir custos com mão de obra humana, especialmente na moderação e rotinas que podem ser automatizadas.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6