Funcionários do Google, Amazon e Microsoft se mobilizaram nesta semana para que suas empresas resistam às diretivas do Departamento de Defesa dos EUA relacionadas ao uso de inteligência artificial em operações militares. O movimento interno ganhou força após o embate público entre o governo Trump e a startup Anthropic.
Mais de cem empregados do Google assinaram um documento interno pedindo que a companhia “se recuse a cumprir” as exigências do Pentágono. Em outra iniciativa, profissionais das três gigantes tecnológicas enviaram cartas e petições aos seus executivos pedindo uma posição firme contra o órgão de defesa.
Conflito entre governo e Anthropic
A controvérsia começou quando a Anthropic, fundada por ex-funcionários da OpenAI, negociava um contrato de US$ 200 milhões para fornecer tecnologia de IA ao Pentágono. A startup condicionou o acordo a salvaguardas que proibiriam o uso da tecnologia em vigilância em massa de cidadãos americanos e em armas autônomas.
Em resposta, o presidente Donald Trump criticou a Anthropic, chamando-a de “uma empresa de IA de esquerda radical dirigida por pessoas que não têm ideia do que é o mundo real”. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a empresa como “risco para a cadeia de suprimentos” e ameaçou romper qualquer relação contratual.
Reações no setor e resposta da OpenAI
O episódio mobilizou profissionais e executivos do setor de tecnologia. Segundo relatos, grupos de mensagens e fóruns internos foram ocupados por discussões sobre o precedente criado caso a Anthropic fosse excluída de contratos governamentais. Um funcionário do setor alertou, em conversas privadas, que se o Pentágono aplicasse essa postura à Anthropic, a mesma tática poderia ser usada contra outras empresas que tentassem estabelecer limites éticos.
Sam Altman, CEO da OpenAI, inicialmente adotou postura cautelosa, mas depois declarou apoio à Anthropic: “Apesar de todas as minhas divergências com a Anthropic, confio bastante neles como empresa e acredito que eles realmente se preocupam com a segurança”. Horas depois, a OpenAI anunciou ter fechado um acordo com o Pentágono para fornecer IA a sistemas confidenciais, afirmando que as salvaguardas do contrato impedirão usos indesejados.
Imagem: Divulgação
Impacto econômico e retenção de talentos
Além das motivações éticas, a resistência das empresas às exigências governamentais reflete uma preocupação prática com retenção de pessoal e reputação. Ao contrário de contratadas tradicionais do setor de defesa, empresas de IA dependem de equipes altamente especializadas que podem migrar facilmente para concorrentes. Para a Anthropic, o contrato de US$ 200 milhões representa apenas uma fração de sua receita anual, estimada entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, e ceder a pressões poderia custar mais em credibilidade e perda de talentos do que o valor do contrato.
Autoridades atuais e antigas do Departamento de Defesa, em conversas reservadas, reconheceram que subestimaram a convicção da Anthropic e o alcance do ativismo interno no setor. O confronto permanece em aberto: a Anthropic mantém sua posição, o Pentágono sustenta a ameaça de exclusão, e funcionários das grandes empresas de tecnologia acompanham os desdobramentos atentos, prontos para novas ações caso o precedente se confirme.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6