O setor de eventos, cultura e entretenimento começou 2026 em ritmo histórico no Brasil. Segundo dados do boletim “Radar Econômico”, da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o consumo em atividades de recreação, shows, festivais e experiências de lazer movimentou R$ 25,3 bilhões apenas no primeiro bimestre do ano — o maior valor registrado desde 2019.

Funk impulsiona setor de eventos no Brasil e mercado bate recorde histórico de R$ 25 bilhões em 2026
FOTO – SHOW MC LIVINHO

Mas por trás desse crescimento existe uma força que vem transformando a economia do entretenimento brasileiro nos últimos anos: o funk.

O gênero, que nasceu nas periferias e durante décadas foi marginalizado pela indústria tradicional, hoje se tornou um dos principais motores da cultura urbana e da economia criativa nacional. Bailes, shows, festivais e plataformas digitais passaram a movimentar bilhões, consolidando o funk como um dos maiores fenômenos culturais do Brasil.

Enquanto muitos ainda enxergam o funk apenas como tendência musical, o mercado já entendeu que o gênero se tornou uma verdadeira indústria.

Hoje, o funk movimenta:

  • shows e festivais lotados;
  • produtoras musicais;
  • plataformas de streaming;
  • publicidade;
  • turismo;
  • moda;
  • audiovisual;
  • redes sociais;
  • marcas nacionais e internacionais.

Além dos artistas, existe uma cadeia inteira trabalhando por trás do crescimento da cena: DJs, produtores musicais, videomakers, técnicos, seguranças, montadores, designers, influenciadores e profissionais do marketing digital.

Os números reforçam essa transformação. O mercado formal de eventos ultrapassou 205 mil empregos em fevereiro de 2026 — quase o dobro registrado em 2019, quando o setor tinha cerca de 111 mil trabalhadores. O crescimento foi de 84,5%, segundo dados do CAGED e da RAIS.

A área de organização de eventos foi a que mais cresceu, com avanço de 149,1% em relação ao período pré-pandemia. Também cresceram atividades ligadas a espetáculos artísticos, patrimônio cultural, recreação, lazer e eventos esportivos.

O impacto vai muito além da música.

Setores como hospedagem, alimentação, infraestrutura, publicidade, segurança privada e turismo também avançaram junto com a expansão do entretenimento. O número de empregos formais nessas atividades passou de 3,45 milhões em 2019 para 4,27 milhões em 2026.

Outro destaque foi o crescimento de 95,9% no setor de publicidade e propaganda, refletindo a aproximação cada vez maior das marcas com a cultura urbana e o público jovem das periferias.

O funk deixou de ocupar apenas playlists e redes sociais. Hoje, o gênero ocupa festivais, campanhas publicitárias, plataformas digitais e o centro da economia do entretenimento brasileiro.

A cultura que antes era tratada como nicho agora se tornou potência econômica.

O mercado mudou.
O público mudou.
E o funk se consolidou como uma das maiores forças culturais e econômicas da nova geração.

O que antes era marginalizado agora movimenta bilhões.

Fonte: Billboard Brasil / ABRAPE