Jovens carregam sacolas sem tecnologia cheias de atividades offline

A geração Z vem adotando um novo hábito para reduzir o tempo diante de telas: carregar bolsas e sacolas intencionalmente livres de dispositivos eletrônicos, chamadas de “bolsas analógicas”. A prática reúne materiais e atividades que não dependem de internet ou smartphones, como livros, jogos portáteis, trabalhos manuais e passatempos tradicionais.

Embora a ideia de ocupar o tempo com atividades sem tela não seja nova, para quem nasceu em um ambiente dominado por tecnologia ela surge como uma resposta prática ao consumo constante de conteúdo digital. A tendência, observada pessoalmente em espaços urbanos, tem ganhado maior visibilidade nas redes sociais, onde influenciadores mostram o conteúdo de suas bolsas por meio de vídeos e publicações em carrossel.

Entre os nomes que ajudaram a popularizar a prática está a influenciadora Siece Campbell. Em um vídeo publicado no TikTok em 2025, Campbell exibiu itens que utiliza para diminuir o uso do celular; o material já acumulou mais de 303 mil visualizações e quase 30 mil curtidas. Desde então, ela tem divulgado atualizações mensais sobre o que leva em sua bolsa analógica. Em uma postagem de julho, Campbell descreveu a ideia como a substituição de um hábito por outro, e mostrou itens que costuma portar, incluindo uma câmera Polaroid Mini, livros de palavras cruzadas e até glitter biodegradável para animar eventos.

Outra criadora que abraçou o movimento é Autumn Acord, que reúne cerca de 150 mil seguidores. Em um vídeo com mais de 6.200 curtidas, Acord definiu sua bolsa como um conjunto de materiais para trabalhos manuais e passatempos destinados a evitar o rolar constante do celular. Entre os objetos que apresentou estavam um kit de aquarela, materiais para bordado e diversos jogos de viagem.

O contexto que pode explicar a procura por alternativas analógicas inclui o elevado tempo de exposição a telas entre os jovens: um relatório da Demand Sage aponta que a geração Z passa, em média, cerca de nove horas por dia utilizando dispositivos com tela. Nos Estados Unidos, o uso médio diário de telas é um pouco superior a sete horas. Há alertas de especialistas há anos sobre os efeitos do uso excessivo de telas na saúde mental, e surgem novas preocupações relacionadas à visão e a problemas posturais associados ao uso prolongado de dispositivos.

Geração Z adota “bolsas analógicas” como alternativa ao excesso de telas

Imagem: Divulgação

Mesmo para quem não pretende abandonar a tecnologia, a adoção de algumas atividades sem tela, como propõem as bolsas analógicas, tem sido apresentada como uma alternativa pontual para reduzir a exposição digital.

Com informações de Fastcompanybrasil