Glen Hansard, cantor e compositor irlandês, morreu aos 56 anos em um acidente de moto na manhã de ontem, 29. A notícia da morte, que surpreendeu fãs, colegas e familiares, destaca a trajetória de um artista que transitou entre músicas de rua, rock e performances íntimas que emocionavam plateias mundo afora.

Hansard ganhou reconhecimento tanto como vocalista da banda The Frames quanto pela parceria com Markéta Irglová em The Swell Season. Sua visibilidade cresceu ainda mais após o filme Once – Apenas Uma Vez (2007), cuja canção “Falling Slowly” lhe rendeu um Oscar. Antes disso, ele já havia aparecido como o jovem baixista Outspan Foster em The Commitments (1991).

Artista de formação ligada à tradição de músicos de rua em Dublin, Hansard exibiu essa herança em momentos marcantes, como uma apresentação no Carnegie Hall, em março de 2019, quando, diante de problemas de som durante uma homenagem a Van Morrison, aproximou-se da plateia, arrancou o cabo do violão e gritou “Eu tenho um lar no alto”. Na mesma noite, executou “Astral Weeks” de Morrison com intensidade acústica que transformou o teatro histórico em algo próximo a um pub ou a uma esquina musical de Dublin. Em meio à performance, disse ao público: “Quando você canta com o coração, você nunca desafina.”

Como compositor, Hansard alternou entre canções luminosas e trabalhos marcados por densidade e tensão. Em entrevistas, ele afirmou buscar renovação artística: descreveu o álbum Between Two Shores (2018) como um trabalho no qual se sentiu “meio preguiçoso” e prometeu algo diferente em This Wild Willing (2019), disco que, segundo ele, representou uma expressão mais autêntica para sua meia-idade. Hansard citou o apelido dado por Nico Muhly — “Earnest Strum” — e disse que queria fazer um álbum anti-Earnest Strum, rompendo com a ideia de ser apenas um cantor folk.

A diversidade de sua obra também aparece em All That Was East Is West Of Me Now (2022), onde alterna referências a Leonard Cohen e Joni Mitchell com experimentações sonoras, e na recente reunião com Irglová no álbum do Swell Season intitulado Forward, lançado no ano passado.

Várias de suas composições tratavam da vitalidade e da complexidade da vida cotidiana: canções como “High Horses” (2009), “Her Mercy” (2015) e “Revelate” (1995, com The Frames) exploram dor, admiração e os conflitos emocionais que acompanham a experiência humana. Hansard era também conhecido por interpretações poderosas de músicas alheias, como sua versão de “Drive All Night”, de Bruce Springsteen, apresentada em 2012.

Glen Hansard, conhecido por performances de rua e canções sobre a vida, morre aos 56 anos

Imagem: Ansa

Ao longo da carreira, ele descreveu sua vontade de continuar produzindo e se apresentar. “Estou em uma idade em que ou você pisa fundo no acelerador, ou tira o pé do acelerador”, disse há poucos meses. “E eu preciso muito pisar fundo no acelerador. Quero trabalhar. Quero estar no mundo. Quero fazer música.”

Glen Hansard será lembrado tanto por suas performances de rua e shows intensos quanto por músicas que buscavam capturar a urgência e a beleza do cotidiano.

Com informações de Rollingstone