Transmissão: Band

Goiânia guarda a memória do maior acidente radiológico ocorrido no Brasil, em 1987, quando uma fonte de césio‑137 foi retirada de um aparelho de radioterapia em uma clínica abandonada e manipulada por pessoas da cidade. O episódio expôs milhares de moradores à radiação e deixou consequências que perduram até hoje.

O que aconteceu

O incidente começou com a invasão de uma clínica desativada, de onde foi removida a cápsula contendo césio‑137. O material, quando retirado do equipamento, passou a ser manuseado por curiosos que desconheciam os riscos da radiação ionizante. Segundo artigo publicado pelo ScienceDirect, a gravidade das exposições exigiu a aplicação de métodos de dosimetria biológica para estimar as doses recebidas e monitorar as pessoas afetadas.

Quem foi atingido e consequências imediatas

Centes centenas de pessoas tiveram contato direto com o césio‑137; muitas sofreram queimaduras e contaminação radiológica, e houve casos de morte atribuídos à exposição. O incidente gerou pânico e desinformação entre a população, com internações e acompanhamento de vítimas por anos devido ao risco aumentado de problemas de saúde crônicos decorrentes da exposição.

Como as autoridades responderam

As autoridades locais adotaram medidas de contenção que incluíram o isolamento de áreas contaminadas, atendimento a casos agudos e operações de descontaminação. As ações visaram reduzir a exposição adicional da comunidade e permitir o acompanhamento médico e epidemiológico das pessoas afetadas.

Impacto a longo prazo em Goiânia

Décadas após o acidente, Goiânia ainda convive com efeitos físicos e psicológicos entre sobreviventes e familiares. A cidade passou a investir em programas educativos sobre radiação e prevenção de acidentes, e o episódio é lembrado em museus e centros educativos como forma de manter a conscientização sobre os perigos de materiais radioativos abandonados.

Imagem: Ap

Mudanças nas normas de segurança

O desastre de 1987 impulsionou a revisão da legislação e a implementação de normas mais rígidas para o manuseio, armazenamento e descarte de fontes radioativas. Clínicas e hospitais passaram a seguir protocolos de controle mais estritos, com exigência de treinamento e certificação de profissionais, além de inspeções regulares por órgãos fiscalizadores.

O acidente de Goiânia permanece como um marco na história do país sobre segurança radiológica, ressaltando a necessidade de políticas públicas e fiscalização para evitar novos incidentes.

Com informações de Olhardigital