O governo dos Estados Unidos está se organizando para autorizar o uso do modelo de inteligência artificial Claude Mythos em agências federais, apesar de alertas sobre riscos de cibersegurança associados à tecnologia. A informação foi divulgada pela Bloomberg nesta quinta-feira (16).

Anunciado pela Anthropic na semana anterior, o Claude Mythos terá uma versão de pré-visualização restrita a organizações selecionadas. A própria desenvolvedora e especialistas classificaram a IA como “perigosa para a humanidade” e indicaram que o modelo não deve ser liberado ao público em geral devido ao potencial de causar mais danos do que benefícios.

Implementação em agências federais

Funcionários do governo receberam um e-mail informando que o Escritório de Administração e Orçamento (Office of Management and Budget) da Casa Branca está trabalhando na implantação de salvaguardas que possibilitem o uso do Mythos em sistemas federais. A mensagem foi assinada por Gregory Barbaccia, diretor de informações do órgão.

Segundo o comunicado, a administração federal atua em parceria com fornecedores de IA e com a comunidade de inteligência para garantir que “as salvaguardas e proteções adequadas estejam em vigor antes de potencialmente liberar uma versão modificada do modelo para as agências”. O e-mail intitulado “Acesso ao modelo Mythos” não detalha quais agências receberão a ferramenta nem o cronograma para essa disponibilização. Também não há informações públicas sobre as aplicações previstas dentro dos órgãos federais.

No início da semana, o cofundador da Anthropic, Jack Clark, comentou que a empresa manteve conversas com o governo de Donald Trump sobre o uso da tecnologia, em meio a um impasse entre as partes. Recentemente, o Pentágono encerrou um contrato com a empresa em razão de restrições impostas pela Anthropic ao uso militar do modelo. Além disso, o Departamento de Defesa dos EUA listou a fornecedora como um risco para a cadeia de suprimentos.

Riscos e capacidades do Mythos

O Claude Mythos é uma versão experimental de um modelo de propósito geral treinado com um grande conjunto de dados públicos, privados e sintéticos. Com desempenho comparável ao do Opus 4.6, o Mythos se destaca pela capacidade de redigir e analisar códigos de programação.

Imagem: Divulgação

De acordo com a Anthropic, em testes o modelo identificou milhares de vulnerabilidades graves em sistemas operacionais, softwares e navegadores. Essa aptidão para descobrir falhas e potencialmente elaborar maneiras de explorá-las é apontada por especialistas como uma preocupação significativa de cibersegurança.





As autoridades federais seguem avaliando mecanismos de controle para permitir o uso restrito do Mythos enquanto lidam com os riscos associados à ferramenta.

Com informações de Tecmundo