No dia 1º de fevereiro de 2026, o Grammy Awards mostrou-se mais alinhado ao cenário musical atual do que o MTV Video Music Awards (VMAs), revertendo um comportamento histórico em premiações musicais. Enquanto o VMAs, por décadas, liderou as tendências juvenis com performances arrojadas, neste ano dedicou boa parte de seu tempo a homenagens de carreira e artistas veteranos, distanciando-se do frescor que o consagrou.

Histórico de contrastes
Ao longo dos anos 1990 e 2000, o Grammy chegou a premiar discos clássicos de Tony Bennett e Ray Charles em categorias de destaque, mesmo com o sucesso maciço de nomes como Green Day, Usher e Kanye West. Já o VMAs fornecia o palco para artistas emergentes e inovadores, refletindo o pulso da cultura pop e servindo de termômetro para suas preferências.

Mudança de postura
Em 2026, o Grammy invertiu essa lógica, abrindo espaço para novos talentos e performances contemporâneas. A cerimônia contou com um medley de oito indicados à categoria de Melhor Artista Revelação, cinco deles reunidos em sequência com coreografias complexas e cenários alternados. Nomes como Benson Boone e Doechii despontaram no evento, conquistando popularidade nacional após suas apresentações.

Veteranos e parcerias de peso
Embora tenha valorizado novos artistas, o Grammy não deixou de incluir referências ao passado. A dupla de rap Clipse recebeu destaque ao finalmente conquistar um prêmio, e Lady Gaga e Bruno Mars, unidos pelo hit do ano anterior, dividiram o palco com arranjos mais ousados. Tributos a Ozzy Osbourne, D’Angelo e Roberta Flack misturaram gerações ao lado de Post Malone, Leon Thomas e Fugees.

Consagração de Bad Bunny
O nome mais comentado da noite foi Bad Bunny, premiado com Disco do Ano por “Debí Tirar Más Fotos”. Sua vitória representou um marco para gravações em espanhol, resultado da influência constante do artista nos últimos cinco anos e do esforço do Grammy em se modernizar.

Surpresas e consenso crítico
Kendrick Lamar e SZA conquistaram o prêmio de Gravação do Ano por “Luther”, enquanto a performance equivocada de Cher, anunciando “Luther Vandross”, virou um dos momentos mais memoráveis. A estreante Lola Young superou astros da música pop e pop rock na categoria de Melhor Performance Pop Solo com “Messy”. Na ala rock, a banda post-hardcore Turnstile, sem hits de rádio prévios, levou dois troféus.

Imagem: Divulgação

Performances de impacto
Tyler, The Creator entregou a apresentação mais eletrizante ao misturar “Thought I Was Dead” com “Sugar on My Tongue”. Sabrina Carpenter criou um cenário de esteira de bagagens para “Manchild”, e Gaga e Mars reformularam seus hits em versões mais cruas. O tradicional medley de revelações voltou reforçado com Addison Rae, KATSEYE, Olivia Dean e Sombr, embora The Marías tenha ficado relegado a trilha de intervalo.

Discursos com tom político
Os discursos dos vencedores ganharam cunho social. Bad Bunny e Billie Eilish criticaram ações da agência de imigração americana ICE, enquanto Kehlani, Olivia Dean e o duo Shaboozey & Jelly Roll ressaltaram a contribuição de imigrantes nos Estados Unidos. As falas ecoaram poucas semanas após um Golden Globes mais reservado.

Ao priorizar artistas emergentes, oferecer performances criativas e abraçar discursos engajados, o Grammy 2026 comprovou seu alinhamento com o momento cultural global, deixando claro que, pelo menos por ora, mudou-se de lugar com o VMAs.

Com informações de Billboard