Os cinco partidos representados no Parlamento da Groenlândia divulgaram, em comunicado conjunto, sua rejeição à sugestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar o território autônomo. Segundo os líderes locais, qualquer decisão sobre o futuro da ilha deve ser tomada exclusivamente pelos groenlandeses.

“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, afirmaram, destacando que nenhuma interferência externa deve influenciar o destino político da região.

Declarações de Trump

Na sexta-feira, 9 de janeiro, o presidente norte-americano declarou que os EUA “fariam algo sobre a Groenlândia por bem ou por mal”. A fala gerou preocupação em Copenhague e entre aliados europeus, que consideram a proposta uma afronta à soberania do país associado à Dinamarca.

Reação local

Em Nuuk, capital da Groenlândia, moradores manifestaram desaprovação. “Americano, não! Fomos uma colônia por tantos anos. Não estamos prontos para ser uma colônia novamente”, disse Julius Nielsen, pescador de 48 anos, à agência AFP.

A Groenlândia foi colônia dinamarquesa até 1953 e obteve autonomia em 1979. Desde então, o debate sobre independência cresce, mas a coalizão governista atual prefere cautela, defendendo que não é o momento para uma ruptura imediata com a Dinamarca.

Pitsi Mari, profissional de telecomunicações, também entrevistada pela AFP, admitiu simpatizar com a ideia de um Estado independente, mas considerou necessário adiar a decisão: “Eu realmente gosto da ideia de sermos independentes, mas acho que deveríamos esperar. Não por agora. Não hoje.”

Groenlândia reafirma: “Não queremos ser americanos” após declarações de Trump

Imagem: Divulgação

Ofertas e contra-argumentos

Fontes da Reuters informaram que autoridades dos EUA chegaram a avaliar propostas de até US$ 100 mil por habitante para atrair a ilha à órbita americana, embora valores pudessem variar entre US$ 10 mil e US$ 100 mil. Em resposta, representantes de Copenhague e Nuuk reforçaram que a Groenlândia “não está à venda”.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu que qualquer tentativa de assumir o controle da ilha comprometeria a aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Trump, por sua vez, minimizou as críticas, lembrando que aprecia a Dinamarca, mas questionando a legitimidade de uma possessão baseada em um “barco que chegou há 500 anos”.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e com representantes da Groenlândia para discutir o impasse.

Com informações de Infomoney