Um coletivo de extorsão digital que se autodenomina FulcrumSec declarou, nesta terça-feira (16), ter extraído mais de 1 TB de informações dos sistemas da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk e afirmou que agora considera vender parte desse material depois de não ter obtido o pagamento de US$ 25 milhões (R$ 127,6 milhões) solicitado à empresa.

O grupo, que começou a operar publicamente em outubro de 2025, publicou no seu site uma mensagem em que diz ter permanecido por mais de dois meses dentro das redes da Novo Nordisk, período em que teria copiado arquivos e bases de dados internas.

O que foi levado e as alegações

Em paralelo, o grupo disse que não pretende tornar públicos determinados conjuntos de dados, como informações ligadas a milhares de funcionários e médicos e cerca de 11,5 mil pacientes de estudos clínicos em formato pseudonimizado. O coletivo também declarou que vai reter arquivos relativos à tecnologia operacional e ao software que comandam sensores e máquinas nas plantas de produção, citando isso como parte de sua estratégia de “redução de danos”.

Posicionamentos e verificações

Um porta-voz da Novo Nordisk informou à Reuters que a companhia está ciente das alegações sobre cópias de dados obtidas sem autorização, que trata o assunto com seriedade, mantém suas principais plataformas em operação e está em contato com as autoridades competentes. O Olhar Digital também procurou a farmacêutica e aguarda resposta.

A Reuters afirmou não ter conseguido verificar de imediato a autenticidade dos arquivos divulgados pelo grupo, e o FulcrumSec não retornou pedidos de contato no momento da publicação.

Especialistas que acompanham o coletivo observam que o grupo tem reputação de possuir capacidades condizentes com suas reivindicações. Em relatos a blogs especializados, o FulcrumSec disse ter obtido acesso à rede da Novo Nordisk em março e, a partir de 1º de junho, trocou comunicações com a empresa; uma lista apresentada ao site teria mais de 700 mil arquivos, totalizando cerca de 1,3 TB de dados.

Grupo afirma ter roubado mais de 1 TB da Novo Nordisk e exigiu resgate de US$ 25 milhões

Imagem: Divulgação

Além disso, o site VX-Underground noticiou sobre outro ataque separado à Novo Nordisk atribuído a um hacker não identificado; o FulcrumSec afirmou que sua intrusão é distinta desse incidente.

A Novo Nordisk é conhecida por tratamentos para obesidade e diabetes, incluindo os medicamentos Wegovy e Ozempic. A empresa comunicou, em 11 de junho, que houve acesso não autorizado a um número limitado de sistemas internos de TI, com acesso a certos dados pessoais.

A investigação e a apuração sobre a origem e o alcance das informações prosseguem, com autoridades e a própria farmacêutica acompanhando o caso.

Com informações de Olhardigital