Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, as empresas produtoras de petróleo e gás têm registrado ganhos extraordinários, estimados em cerca de US$ 30 milhões adicionais por hora. Esse aumento nos lucros é atribuído à alta do preço do barril no mercado internacional, impulsionada, entre outros fatores, pelo fechamento quase total do Estreito de Ormuz — rota marítima responsável por aproximadamente um quinto do fornecimento global de petróleo e gás.
A estimativa foi calculada a partir do desempenho das 100 maiores companhias de petróleo e gás do mundo, com base em dados da consultoria Rystad Energy e análise da organização Global Witness, divulgada ao The Guardian.
Impacto nos preços e projeções
Em março, o preço médio do barril subiu para US$ 100, gerando lucros extraordinários estimados em US$ 23 bilhões apenas naquele mês. Mantido esse patamar, as petrolíferas poderão acumular até US$ 234 bilhões adicionais até o final de 2026.
Quem mais se beneficia
Na lista de beneficiadas pela elevação dos preços, a Saudi Aramco aparece na liderança, seguida por grandes grupos como ExxonMobil, Gazprom e Chevron. A Petrobras também figura entre as companhias que registraram ganhos relevantes no período.
Segundo as projeções, a Saudi Aramco poderia obter US$ 25,5 bilhões extras em 2026 caso o preço do barril se mantenha em US$ 100. Três empresas russas — Gazprom, Rosneft e Lukoil — podem, juntas, acumular outros US$ 23,9 bilhões relacionados ao conflito.
Desempenho da Petrobras
As ações da Petrobras na B3 registraram alta aproximada de 57% no primeiro trimestre, o maior avanço em quase 30 anos. A estatal encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, aumento de 201% em relação ao ano anterior. A competitividade do petróleo do pré-sal, cujo custo de produção em vários campos tem breakeven abaixo de US$ 40 por barril, amplia a margem de lucro diante da valorização internacional do barril.
Imagem: WHoP
Consequências para consumidores e políticas públicas
O choque na oferta e a elevação de preços incidem diretamente sobre consumidores e empresas, gerando combustíveis e energia mais caros. Em resposta, países como Brasil, Itália e África do Sul reduziram tributos sobre combustíveis, o que reduz a arrecadação destinada a serviços públicos.
A Comissão Europeia está avaliando um pedido de ministros das Finanças da Alemanha, Espanha, Itália, Portugal e Áustria para aplicar impostos extraordinários sobre os lucros dessas companhias. Os ministros defendem ser necessário “enviar uma mensagem clara de que aqueles que lucram com as consequências da guerra devem fazer a sua parte para aliviar o fardo sobre o público em geral”.
Consultorias apontam que o choque de oferta é o maior desde o embargo árabe de 1973, segundo a Rapidan Energy. Mesmo que o conflito seja encerrado, especialistas citados no levantamento indicam que o preço do petróleo dificilmente retornará aos níveis próximos a US$ 50 por barril observados no início do ano, em razão dos danos à logística marítima e da destruição de ativos de refino no Oriente Médio, fatores que já promoveram um processo inflacionário persistente.
Com informações de Conexaopolitica

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6