Produção, preços e impactos sociais

A Guiana, país vizinho do Brasil, registra crescimento acelerado das receitas públicas em razão da valorização do petróleo no mercado internacional e da expansão da produção, situação que tem levado analistas a classificar a nação como o mais novo petroestado da América do Sul.

O avanço ocorre no contexto da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel e do bloqueio do Estreito de Hormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Com a redução da oferta internacional, o barril Brent ultrapassou a faixa de US$ 100, elevando a arrecadação guianense.

A produção de petróleo bruto do país já supera 920 mil barris por dia e as projeções indicam chegada à marca de um milhão de barris diários em 2026. A combinação entre o aumento da produção e a alta do preço da commodity tem transformado a economia guianense.

Segundo dados do Banco Mundial, a economia da Guiana cresce, em média, 40,9% ao ano desde 2020. Em 2025, as receitas provenientes do petróleo equivaleram a 37% do orçamento nacional, com arrecadação próxima de US$ 2,5 bilhões. Antes da guerra no Oriente Médio, a previsão oficial apontava para US$ 2,8 bilhões em receitas petrolíferas em 2026.

Com as tensões internacionais, estimativas citadas pela revista The Economist indicam que as receitas petrolíferas da Guiana passaram a aumentar cerca de US$ 370 milhões por semana desde o início do conflito.

Efeitos domésticos e desafios

O boom do petróleo já gera efeitos visíveis: projetos de infraestrutura foram acelerados, incluindo construção de estradas, escolas, centros de saúde e moradias. O governo também anunciou bônus financeiros para cidadãos com mais de 18 anos, em meio ao crescimento das receitas públicas.

Guiana se torna novo petroestado com salto nas receitas após alta do petróleo

Imagem: divulgação/Guyana Department of Public Information

Apesar dos ganhos fiscais, especialistas apontam problemas estruturais. A inflação continua pressionando o custo de vida e os preços de alimentos subiram cerca de 25% em curto período. Mantém-se, ainda, forte desigualdade social no país.

Na gestão das receitas, a maior parte da renda gerada pelo setor ainda é destinada às empresas que assumiram os investimentos iniciais. O governo mantém o controle de recursos por meio de um Fundo de Recursos Naturais criado para assegurar estabilidade fiscal e planejamento de longo prazo.

A transformação econômica provocada pelo petróleo segue em curso, com ganhos expressivos de curto prazo acompanhados de desafios na distribuição e na administração das receitas públicas.

Com informações de Portalin