TRANSMISSÃO: Band
Mike McCready, guitarrista do Pearl Jam, apontou o isolamento geográfico e cultural de Seattle como fator decisivo para a proliferação de grupos musicais de destaque na cidade. Em entrevista ao AllMusic, ele relacionou a condição de “fora de mão” do noroeste dos Estados Unidos à formação de uma cena autossuficiente e com identidade própria — elemento que, segundo ele, ajudou a forjar o que viria a ser o movimento grunge na década de 1990.
McCready informou que a vida musical em Seattle, marcada por longos períodos chuvosos e por ensaios em garagens, contribuiu para um tom mais sombrio em boa parte das bandas locais. A comunidade, limitada em tamanho, fazia com que músicos e fãs circulassem entre os mesmos eventos e festas, o que estimulava a colaboração mútua e a organização direta dos shows e materiais promocionais.
Ele descreveu ainda práticas típicas da época, como a confecção caseira de panfletos e a marcação de apresentações em locais pouco convencionais, como igrejas, fruto da necessidade de resolver tudo “por conta própria”. Para McCready, essa cultura do faça-você-mesmo foi saudável para o desenvolvimento artístico da cena.
Ao mesmo tempo, McCready ressaltou que autoridades locais não deram suporte — e chegaram a impor barreiras — ao movimento. Ele citou o Teen Dance Ordinance, legislação aprovada em 1985 que, na prática, impedia a entrada e a apresentação de artistas com menos de 21 anos em boates. A regra exigia, por exemplo, apólices de seguro de US$ 1 milhão e a contratação de policiais fora do expediente para shows com menores, ônus que prejudicou bandas locais e também desencorajou turnês de grupos de fora, que preferiam cidades como Portland ou Vancouver.
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O músico lembrou que ele próprio começou a tocar ao vivo aos 12 anos, na banda Shadow, e teve contato direto com esses obstáculos. O decreto permaneceu em vigor até 2002, quando foi revogado após mobilização liderada por JAMPAC, organização criada por Krist Novoselic para defender interesses de músicos e produtores de eventos.
McCready destacou que, apesar das limitações institucionais, o ambiente de Seattle favoreceu a produção de uma cena coesa e independente, característica que ajudou a projetar muitos de seus artistas nacional e internacionalmente.
Com informações de Rollingstone

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6