Horário: 17h07 (Brasília UTC-3)

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (15) em queda, mesmo com índices de Nova York em alta, enquanto investidores aguardavam uma decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas a produtos brasileiros. O principal indicador da bolsa paulista recuou 0,36%, para 176.010,90 pontos, operando entre máxima de 176.662,60 e mínima de 175.288,17. O volume financeiro do pregão somou R$39,85 bilhões, em um dia marcado pelo vencimento de opções sobre o índice.

Em contraste, o S&P 500 subiu 0,38% em Nova York, acompanhando ganhos em bolsas europeias, com atenção a dados de preços e ao início da temporada de balanços do segundo trimestre nos Estados Unidos.

Destaques

ENGIE BRASIL ENERGIA ON caiu 5,11% após precificar oferta primária de 274.082.684 ações a R$30,50 por papel, com desconto de cerca de 5,5% em relação ao fechamento de terça-feira. A operação movimentou R$8,36 bilhões, dos quais R$5,74 bilhões foram subscritos pela Engie Participações por meio da integralização de 40% da usina hidrelétrica de Jirau.

ISA ENERGIA PN recuou 5,03%. A transmissora pediu oferta primária com lote inicial de 22,2 milhões de ações preferenciais, com precificação prevista para 23 de julho; o lote poderá ser acrescido em até 100%. A controladora ISA Capital do Brasil manifestou intenção de subscrever a oferta.

B3 ON avançou 2,35% após o Bank of America elevar a recomendação para compra, citando múltiplos próximos de mínimas históricas e revisando para cima a previsão de lucro em 2026; o preço-alvo passou de R$20 para R$22.

MRV&CO ON subiu 0,62% depois de assinar memorando de entendimento com a JiveMauá Real Estate para possível venda de três ativos imobiliários com valor potencial de R$166 milhões (Luggo Pampulha, 118 unidades; Luggo Mauá, 119 unidades; Luggo Samambaia, 200 unidades). A ação chegou a subir 3,72% no intraday.

BRASKEM PNA caiu 6,15% após surgirem notícias sobre negociações com credores; a coluna Radar Econômico, da Veja, informou sobre proposta de reestruturação por um grupo de detentores de títulos que prevê diluição de acionistas.

ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,12%, com tom negativo prevalecendo entre os bancos do índice. PETROBRAS PN cedeu 0,17% e PETROBRAS ON subiu 0,11%, em pregão de variação modesta nos preços do petróleo, com o Brent subindo 0,26%.

VALE ON avançou 0,68%, acompanhando alta dos futuros do minério de ferro na China, com o contrato mais negociado em Dalian encerrando em alta de 1,13%. No setor siderúrgico, GERDAU PN teve alta de 3,77%, diante de comentários do JPMorgan sobre cenário favorável nos EUA.

Imagem: Getty Images

ÂNIMA ON, fora do Ibovespa, desabou 32,75% após anunciar acordo para comprar as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), atualmente em recuperação judicial, por R$410 milhões; analistas do BTG Pactual consideraram múltiplo elevado e cortaram recomendação para neutra.

Dólar

O dólar à vista fechou praticamente estável frente ao real, com alta de 0,08%, a R$5,0782, acumulando queda de 7,48% no ano. Às 17h07, o contrato futuro de dólar para agosto — o mais negociado — registrava alta de 0,03% na B3, a R$5,0965.

No exterior, a moeda norte-americana ficou em baixa na sessão, pressionada por dados de preços nos EUA: o índice de preços ao produtor para a demanda final caiu 0,3% no mês, após alta revisada de 0,6% em maio, segundo o Departamento do Trabalho, o que afetou os rendimentos dos Treasuries e o dólar frente a outras divisas. No entanto, no mercado doméstico o câmbio oscilou pouco: a mínima do dia foi R$5,0575 às 10h07 e a máxima R$5,0892 às 13h58.

Profissionais consultados destacaram que o noticiário político e a expectativa sobre medidas comerciais dos EUA mantiveram agentes cautelosos. Ainda na manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento em 3 de agosto.

No campo político, pesquisa Genial/Quaest mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% das intenções de voto no segundo turno, contra 37% de Flávio, com margem de erro de dois pontos percentuais. A imprensa também divulgou uma foto do senador Flávio com Luiz Philippi Mourão, conhecido como “Sicário”; em vídeo, Flávio afirmou que recebe pedidos de fotos diariamente e buscou se desvincular do episódio. Esses desdobramentos foram citados como fatores que sustentaram taxas dos DIs e promoveram cautela no mercado de câmbio.

O pregão terminou com investidores atentos às possíveis tarifas dos Estados Unidos e ao noticiário político doméstico, fatores que devem seguir influenciando a direção dos mercados nos próximos dias.

Com informações de Forbes