O Ibovespa registrou queda de 1,52% nesta quarta-feira (29), encerrando o pregão na mínima do dia, em 173.885,34 pontos. O recuo acompanhou o movimento dos mercados internacionais após a divulgação da decisão de política monetária do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.

O Fed anunciou a manutenção da taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, resultado que já era amplamente esperado. A decisão, porém, não foi unânime: o placar ficou em 9 a 3 pela manutenção, sinalizando que parte do comitê (FOMC) pode estar inclinado a altas futuras.

Em coletiva após a reunião, Kevin Warsh, presidente do Fed, afirmou que é necessário conduzir a inflação de volta à meta de 2% e garantir estabilidade de preços. Warsh também comentou que a economia americana segue sólida e que o avanço do investimento em tecnologia tem potencial para estimular o crescimento futuro, gerando choques de oferta que elevam preços em setores ligados à Inteligência Artificial.

Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, destacou que tanto a sinalização do comunicado, com três membros inclinados a aumentar juros, quanto os comentários de Warsh, reforçaram a percepção de possibilidade de alta ainda neste ano. Após o comunicado e durante a entrevista a probabilidade de elevação dos juros em setembro subiu para 73,9%, ante 67,8% na véspera.

Além do Fed, fatores geopolíticos pesaram sobre ativos de risco: ataques no Oriente Médio pressionaram mercados e impulsionaram o preço do petróleo. O contrato do Brent com vencimento em setembro subiu 7,91%, fechando a US$ 90,74.

Ambiente doméstico e resultados

No Brasil, os dados do Caged apontaram saldo positivo de 145.161 empregos com carteira assinada em junho, resultado de 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos. Na temporada de balanços, o Santander divulgou lucro recorrente de R$ 3 bilhões no segundo trimestre, queda anual de 17,6%, desempenho abaixo do esperado que pressionou ações do setor financeiro.

Ibovespa hoje

Durante o dia, o principal índice oscilou entre máxima intradiária de 176.563,85 pontos e mínima de 173.885,34 pontos. O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 22,3 bilhões.

Ibovespa recua 1,52% após decisão do Fed; dólar fecha a R$ 5,10

Imagem: Ap

Maiores altas do pregão: PRIO3 (+2,89%, R$ 58,41), PETR3 (+2,35%, R$ 47,51), MBRF3 (+2,21%, R$ 16,66), PETR4 (+1,92%, R$ 42,00) e BEEF3 (+1,76%, R$ 3,47).

Maiores baixas do pregão: CSNA3 (-7,80%, R$ 5,20), SANB11 (-7,37%, R$ 25,63), SBSP3 (-5,87%, R$ 26,61), AZZA3 (-5,83%, R$ 16,15) e DIRR3 (-4,73%, R$ 11,09).

Dólar e bolsas internacionais

A decisão do Fed trouxe alívio momentâneo ao câmbio: o dólar comercial recuou 0,27% e fechou a R$ 5,10. Em Nova York, a perspectiva de alta de juros na próxima reunião do FOMC pressionou os índices americanos: Dow Jones caiu 2,18%, S&P 500 recuou 1,51% e Nasdaq perdeu 1,74%.

O mercado local e externo seguirá atento às sinalizações do Fed, aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e aos próximos balanços da temporada.

Com informações de Borainvestir.b3