O Ibovespa encerrou a sexta-feira (10) em forte alta, avançando 2,97% e alcançando 177.866,37 pontos, próximo do patamar dos 178 mil pontos que não era registrado desde 21 de maio. O índice fechou no pico do dia, com a grande maioria das ações em valorização, em um pregão influenciado por dados de inflação que reforçaram apostas por corte da taxa Selic em agosto.
Ao longo da sessão, o indicador oscilou entre mínima de 172.760,66 pontos e máxima de 177.866,37 pontos. O volume financeiro negociado totalizou R$25,17 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 2,18%, a terceira semana seguida no positivo, e em julho registra alta de 3,40% até o momento.
Dados de inflação e expectativa de juros
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA subiu 0,16% em junho, abaixo do avanço de 0,58% em maio e da mediana das projeções da Reuters, que indicavam 0,31%. Trata-se da variação mensal mais baixa desde outubro, quando o índice cresceu 0,09%.
Em relatório a clientes, David Beker, chefe de economia no Brasil e de estratégia para a América Latina do Bank of America, avaliou que o resultado de junho trouxe um índice cheio e uma composição mais favoráveis do que o esperado. Segundo ele, embora alguns itens tenham pressionado para baixo, sinais de desinflação ficaram visíveis em medidas mais amplas, como o índice de difusão e os núcleos de inflação.
Após o IPCA e citando também um cenário externo mais benigno — com o barril do petróleo abaixo de US$80 e dados de emprego dos EUA mais fracos na semana passada — Beker passou a projetar um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em vez da manutenção anterior. O encontro do Copom está marcado para 4 e 5 de agosto. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Para a reunião seguinte, nos dias 14 e 15 de setembro, o estrategista manteve cenário-base de manutenção, mas afirmou haver risco de novo corte de 0,25 ponto dependendo da evolução dos preços do petróleo.
Destaques do pregão
No setor financeiro, Itaú Unibanco PN subiu 4,02%, enquanto o índice do setor avançou 4,12%, com B3 ON subindo 4,26%. Entre as mineradoras, Vale ON fechou em alta de 1,41%, em sintonia com os futuros do minério de ferro na China; CSN ON saltou 7,92%. Petrobras PN subiu 1,12% e foi acompanhada por movimento comprador no mercado, enquanto PRIO ON foi a única ação do Ibovespa a cair, recuando 0,29%.
O setor de varejo teve ganhos expressivos: Magazine Luiza ON subiu 7,41%, impulsionada pelo alívio nas taxas futuras de juros após os dados do IPCA; o índice de consumo da B3 avançou 2,88%. No setor imobiliário, MRV&CO ON subiu 1,01% e o índice do segmento teve alta de 3,9%.
Dólar
No mercado cambial, o dólar à vista fechou em queda de 0,31%, cotado a R$5,1078, a menor marca de fechamento desde 16 de junho (R$5,0894). Na semana, a moeda acumulou baixa de 1,18% e, no ano, recuo de 6,94%.
Às 17h03 (Brasília UTC-3), o contrato futuro de dólar para agosto — o mais líquido na B3 — cedia 0,17%, a R$5,1340. Durante o dia, a cotação oscilou entre máxima de R$5,1278 (+0,08%) registrada às 11h33 e mínima de R$5,0985 (-0,49%) às 13h28, variação intradiária de 0,57%.
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O Banco Central realizou venda de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto, sem efeito aparente nas cotações. No exterior, o dólar perdeu terreno ante o iene após declaração da ministra das Finanças do Japão sobre incentivos a fundos de pensão, e também recuou frente a moedas de países emergentes.
Petróleo e cenário geopolítico
Os contratos futuros do Brent fecharam em US$76,01 o barril, com queda de 0,38%, enquanto o WTI fechou a US$71,41, (-0,93%). Apesar das quedas do dia, ambos encerraram a semana com ganhos — cerca de 5,5% para o Brent e quase 4% para o WTI.
Operadores reagiram à expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz após nova rodada de confrontos entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu parte do temor sobre interrupção prolongada do tráfego. Ainda assim, rastreamento mostra que navios-tanque de GNL passaram pelo estreito nos últimos dias, e 22 embarcações ligadas ao Japão deixaram o Golfo Pérsico desde terça-feira, enquanto o tráfego diário geral diminuiu à medida que as tensões se mantiveram.
No plano político, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã pediu para continuar negociações e que os Estados Unidos concordaram, acrescentando que “o cessar‑fogo ACABOU!”.
Os preços do petróleo também foram impactados por notícias de diplomacia regional — reportagem indicando negociadores do Catar no Irã — e por relatos de explosões no sul iraniano, incluindo na região de Bushehr, onde há uma usina nuclear. Analistas destacaram que a ausência de novos ataques dos EUA pode limitar altas mais fortes, embora o corte nos fluxos pelo Estreito de Ormuz ainda restrinja a queda dos preços.
O mercado doméstico seguiu a tendência externa na sessão, refletindo a leitura do IPCA e suas implicações sobre a trajetória da política monetária.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6