A indústria de videogames tem se deslocado de forma crescente para o formato digital, com grandes empresas e lançamentos recentes indicando uma redução significativa no uso de discos físicos. Decisões envolvendo Grand Theft Auto VI e o PlayStation reforçam essa tendência, que levanta dúvidas sobre acesso, revenda e preservação dos jogos.

Como a transição está ocorrendo

Por décadas, a compra de jogos ocorreu majoritariamente em mídia física, permitindo guardar, emprestar ou revender cópias. Esse cenário vem mudando com a expansão das lojas digitais: consoles como PlayStation 5 e Xbox Series passaram a contar com versões sem leitor de disco, e plataformas de PC como a Steam já dominam as vendas há anos.

Dados corporativos ilustram a mudança. A Capcom informou que 93% das vendas de seus jogos foram digitais no último ano fiscal e projeta que esse percentual suba para 95,4%. A própria Sony registrou que, no quarto trimestre do ano fiscal de 2025, 85% das vendas de jogos completos para PS4 e PS5 ocorreram por download.

GTA VI e a decisão sobre versões físicas

O debate se intensificou após a Rockstar Games revelar detalhes de Grand Theft Auto VI. O jogo, previsto para PlayStation 5 e Xbox Series X/S, terá preço inicial de US$ 79,99 (cerca de R$ 440) na edição básica e US$ 99,99 (aproximadamente R$ 550) na edição Ultimate. A versão disponibilizada em loja física virá sem disco, contendo apenas um código para download do título.

A escolha da Rockstar é vista como marco por se tratar de um dos maiores lançamentos do setor. Para parte dos jogadores, a ausência de mídia física restringe práticas tradicionais do mercado, como empréstimo e revenda.

Posição das grandes empresas e preocupações

Poucos dias após o anúncio sobre GTA VI, a Sony informou que deixará de produzir discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de 2028, citando a preferência crescente dos consumidores pelo formato digital. Enquanto isso, a Microsoft avalia os próximos passos para o Xbox e a Nintendo mantém maior compromisso com mídias físicas, apesar do crescimento de vendas digitais.

Imagem: Divulgação

Especialistas e preservacionistas alertam para riscos associados à predominância do digital. Entre os pontos levantados estão a dependência de servidores, a possibilidade de perda de acesso por mudanças em lojas virtuais, a redução no mercado de revenda e empréstimo, e dificuldades para museus e arquivos manterem títulos modernos acessíveis.

Frank Cifaldi, diretor executivo da Video Game History Foundation, disse ao The Verge que guardar discos em prateleiras não será mais uma solução definitiva para preservar novos jogos.

O movimento rumo ao digital parece consolidado, mas a questão agora é como equilibrar a praticidade dos downloads com mecanismos que garantam acesso e preservação a longo prazo.

Com informações de Olhardigital