Os aportes pessoais do CEO da OpenAI, Sam Altman, passaram a ser alvo de atenção de autoridades e do mercado por potenciais conflitos de interesse envolvendo empresas que mantêm relações comerciais com a própria OpenAI. Autoridades federais e estaduais dos EUA investigam se a interseção entre os investimentos de Altman e as operações da companhia pode influenciar decisões corporativas, numa fase em que a OpenAI está próxima a uma possível abertura de capital.

Quem e o que está sendo investigado

O foco das apurações recai sobre a ampla rede de startups nas quais Altman investiu, incluindo empresas dos setores de inteligência artificial, biotecnologia e energia avançada. O The Wall Street Journal destacou que parte dessas empresas teve valorização após se aproximarem comercialmente da OpenAI, o que reacendeu questionamentos sobre governança.

Quando e como as investigações avançaram

O Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA iniciou uma investigação para apurar possíveis conflitos de interesse. Paralelamente, procuradores-gerais estaduais solicitaram à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) uma revisão sobre o caso. Um elemento relevante nas investigações é que Altman não detém participação acionária direta na OpenAI, situação atípica para executivos de grandes empresas de tecnologia.

O caso Helion

Entre as empresas do portfólio de Altman, a Helion — startup de fusão nuclear — é apontada como o exemplo mais sensível. A sequência de eventos envolvendo a Helion inclui:

  • 2015: Altman investe na Helion e cofunda a OpenAI
  • 2021: novo aporte de US$ 375 milhões (cerca de R$ 1,87 bilhão) na Helion
  • 2024: OpenAI firma acordo para compra futura de energia da startup
  • 2025: SoftBank investe na OpenAI e também na Helion após solicitação de Altman
  • 2025: tentativa de investimento de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) da OpenAI na Helion não avança
  • 2026: acordo revisado é assinado e Altman deixa o conselho da Helion

Mais recentemente, a Helion anunciou uma rodada com a Thrive Capital que elevou sua avaliação para US$ 15,5 bilhões (aproximadamente R$ 77,5 bilhões). Nesse contexto, a participação de Altman na empresa ultrapassou US$ 4,1 bilhões (cerca de R$ 20,5 bilhões).

Outros investimentos e vínculos comerciais

Além da Helion, levantamentos identificaram mais de 80 empresas no portfólio de Altman, embora o próprio executivo já tenha citado investimentos em cerca de 400 startups ao longo da carreira. Pelo menos dez dessas empresas tiveram algum tipo de relação comercial ou negociação de parceria com a OpenAI.

Investimentos pessoais de Sam Altman atraem escrutínio de reguladores por possíveis conflitos com a OpenAI

Imagem: Divulgação

Exemplos citados incluem a Cerebras, fabricante de chips que vende hardware para a OpenAI e cujo valor de mercado foi impulsionado por essa demanda — fato que teria aumentado a participação de Altman mais de seis vezes em estimativas anteriores —, e a Retro Biosciences, na qual a participação de Altman foi estimada em cerca de US$ 258 milhões (aproximadamente R$ 1,29 bilhão).

Em debate está não apenas o tamanho da rede de investimentos, mas como a sobreposição entre interesses pessoais de um executivo e decisões estratégicas de uma empresa como a OpenAI pode ser interpretada por reguladores e investidores no processo de aproximação ao mercado público.

Com informações de Olhardigital