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Enquanto aeronaves dos Estados Unidos e de Israel realizavam ataques contra Teerã e outras cidades iranianas no sábado, 28 de fevereiro de 2026, muitos moradores relataram ausência de orientações governamentais sobre como proceder ou para onde se deslocar em busca de abrigo.
Pais que correram até escolas para buscar filhos afirmaram que diretores e professores não receberam instruções de emergência. Pessoas que tentavam deixar suas casas encontraram poucas opções de abrigo. Em entrevistas por telefone e por mensagens nas horas seguintes aos ataques, iranianos descreveram sentir-se deixados à própria sorte; o governo só divulgou um comunicado horas depois, centrado em condenações aos inimigos e com informações práticas limitadas.
A programação da TV estatal não trouxe orientações de segurança: exibiu canções revolucionárias e músicas de guerra do período do conflito Irã-Iraque, além de mensagens contra Estados Unidos e Israel. O Conselho Supremo de Segurança Nacional informou que escolas e universidades ficariam fechadas até novo aviso, que bancos permaneceriam abertos e que órgãos públicos passariam a funcionar com 50% do efetivo. No comunicado, o órgão afirmou que o país já havia preparado antecipadamente “todas as necessidades da sociedade” e que não havia motivo para preocupação.
No entanto, a situação nas ruas foi distinta. Por volta do meio-dia, muitos habitantes de Teerã — cidade com cerca de 15 milhões de pessoas — tentavam sair de carro e as principais vias de saída apresentavam congestionamentos intensos, segundo relatos. Filas longas se formaram em padarias e postos de gasolina. Gelareh, de 36 anos, disse que tentou fugir com a família rumo ao norte, em direção ao Mar Cáspio, e enfrentou um trânsito “sufocante”.
As comunicações foram fortemente afetadas: linhas fixas ficaram fora do ar em grande parte da cidade e a maioria dos serviços de telefonia celular deixou de funcionar. A organização NetBlocks, que monitora a conectividade global, informou que o acesso à internet foi severamente prejudicado em todo o país.
Moradores relatam que a sensação de abandono começou antes dos ataques: dias antes, postos de serviço registraram longas filas para consumir a cota de gasolina subsidiada, bancos apresentaram filas e dificuldades para saques, e cidadãos circularam por conta própria infográficos caseiros sobre como agir em bombardeios e o que incluir em kits de emergência.
Imagem: Divulgação
O prefeito de Teerã, Alireza Zakani, sugeriu que estações de metrô e estacionamentos subterrâneos poderiam servir como abrigos, mas não houve preparo de estruturas básicas como banheiros químicos, ventilação ou aquecimento. A prefeitura havia instalado alto-falantes pela cidade após a guerra de 12 dias em junho, quando forças dos EUA e de Israel atacaram instalações nucleares iranianas, para uso em sirenes de emergência.
A pressão econômica agrava o cenário: a inflação em torno de 60% já tornava itens básicos inacessíveis para grande parte da população. Supermercados passaram a oferecer parcelamento até para compras de produtos como legumes e fraldas. Nas redes sociais, circularam listas com orientações sobre o que estocar e como enfrentar cortes de luz e água, além de sugestões para montar mochilas de emergência.
O clima de emergência sucede um período recente de repressão interna. Em janeiro, o governo reprimiu protestos contra as autoridades e a crise econômica; organizações de direitos humanos estimam ao menos 7.000 mortes em três dias de confrontos, número que pode ser maior. Ainda assim, novas manifestações começaram em 21 de fevereiro, com estudantes em várias cidades pedindo a queda do governo e cantando palavras de ordem contra o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Por ora, não há relatos generalizados de falta de alimentos, mas a combinação de ataques, interrupções de comunicação e alta inflação deixou a população em situação de incerteza e buscando apoio mútuo nas primeiras horas após os bombardeios.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6