Irupê Teixeira Rodrigues é reconhecido como um dos nomes centrais na trajetória da música popular brasileira, com atuação como saxofonista, flautista, maestro e arranjador. Fundador da Abramus, organização à qual se vinculou por indicação do saxofonista Demétrio Santos Lima, Irupê participou ativamente das reuniões iniciais da associação e deixou contribuição marcante ao longo de sua carreira.
Formação e início da carreira
Nascido em Presidente Epitácio (SP), há 82 anos, Irupê criou seu primeiro conjunto, o Los Rodrigues, aos 8 anos. Aos 14 já tocava tuba e trompete; após a mudança da família para a capital paulista aprendeu saxofone, instrumento que passou a acompanhar sua trajetória. Aos 17 integrou a banda de garagem The Rebels e, posteriormente, passou a tocar sax e trompete no grupo The Jordans.
Os Jordans, considerados um dos mais importantes grupos de rock instrumental dos anos 1960, lançaram 78 rpm, LPs e compactos com grande recepção do público. Integrantes do grupo recordam a chegada de Irupê no início dos anos 1960, quando foi incorporado ao conjunto para atuar em apresentações no clube Lancaster, na Rua Augusta, ocasião em que o twist ganhava espaço nas casas noturnas. Em 1963 o grupo gravou “Blue Star”, que atingiu o primeiro lugar nas paradas, e também registrou o sucesso do “Tema de Lara”, que abriu caminho para apresentações na Itália e em Londres, onde os músicos chegaram a encontrar John Lennon e Ringo Starr no estúdio associado ao filme Yellow Submarine.
Carreira após os Jordans e vínculo com Raça Negra
Com o fim das atividades dos Jordans, em 1974, Irupê passou a acompanhar e gravar com diversos artistas, entre eles o espanhol Manolo Otero e a dupla Leandro & Leonardo. Na casa de shows Stardust conheceu a cantora Cissa (Maria Cecilia Rocha), com quem se casou.
No início da década de 1990, Irupê foi procurado por Luiz Carlos e Fernando, da Zona Leste de São Paulo, que levaram uma fita pedindo arranjos. Como único profissional entre os jovens amadores, ele elaborou uma sonoridade própria para o grupo Raça Negra, incorporando elementos como teclados, metais e influências de conjuntos internacionais, o que ajudou a consolidar o pagode romântico nas rádios FM e a lançar uma nova estética musical no gênero.
Imagem: Divulgação
Reconhecimento de colegas
Músicos que trabalharam com Irupê, como percussionista Fernando Monstrinho e o baterista Fininho, destacam sua responsabilidade pela harmonia, solos de sax e arranjos que marcaram o Raça Negra. Cantores e produtores como Ronnie Von, Antônio Luiz e Nil Bernardes também lembram a proximidade profissional e pessoal; Ronnie Von atribui a Irupê papel importante em sua vida pessoal e na formação de sua trajetória.
A homenagem da Abramus ressalta, além da carreira artística, o papel de Irupê como um dos fundadores da associação e sua presença constante nas decisões da entidade, que reconhece sua contribuição ao acervo sonoro da música brasileira.
Com informações de Abramus.org

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6