O quarto dia do confronto judicial entre Elon Musk e a OpenAI marcou nova troca de farpas no tribunal e a sequência de depoimentos que buscam determinar responsabilidades contratuais e financeiras. Após três dias no banco das testemunhas, Musk encerrou sua participação em clima tenso, e em seguida prestou depoimento Jared Birchall, responsável pela gestão financeira do bilionário, que detalhou as doações que financiaram a organização.
1. Proibição de menções a “fim do mundo”
A juíza Yvonne Gonzalez Rogers estabeleceu limites sobre o teor das declarações em juízo, vetando referências ao potencial da inteligência artificial de provocar extinção humana ou catástrofes globais. Segundo a magistrada, o processo deve concentrar-se em questões contratuais e financeiras, e não em cenários de ficção científica.
2. Confissão sobre “destilação”
No núcleo técnico do interrogatório, o advogado da OpenAI, William Savitt, obteve uma admissão relevante de Musk. Questionado sobre se a xAI havia utilizado tecnologia da OpenAI para treinar o chatbot Grok — prática conhecida como “destilação” — Musk acabou reconhecendo que isso ocorreu “em parte”. Savitt também confrontou o fundador sobre outros pontos que afetam sua credibilidade.
Entre as questões levantadas estiveram alegações de manipulação do algoritmo do X por Musk, que ele negou, apesar de evidências relativas a 2023; e e-mails apresentados em que o próprio Musk concordava que, com o avanço da IA, seria prudente suspender a divulgação aberta de código por motivos de segurança.
3. Divergência sobre AGI na Tesla
Musk negou que a Tesla esteja buscando desenvolver AGI (Inteligência Artificial Geral), declaração que contrasta com postagens suas na rede X afirmando que a montadora lideraria nessa área. A reação no tribunal mostrou que os advogados da OpenAI pretendem explorar essa discrepância.
4. Encerramento tenso do depoimento
O depoimento de Musk terminou em confronto após a menção de um e-mail de 2017 que sugeria a intenção de obter 55% de participação na OpenAI caso a organização se tornasse lucrativa sob seu comando. Musk contestou a validade da acusação, antes da juíza interromper e encerrar sua permanência no banco das testemunhas.
Imagem: Elon Musk e Sam Altman – FotoField / Shutterstock
5. Jared Birchall detalha US$ 38 milhões em doações
Na sequência, Jared Birchall (CEO da Neuralink e diretor da Excession LLC) explicou, de forma breve e objetiva, a engenharia por trás das contribuições de Musk à OpenAI. Segundo Birchall, entre 2016 e 2020 foram realizadas cerca de 60 contribuições que somaram US$ 38 milhões. Ele também abordou o uso de fundos de doadores (DAFs), ressaltando que, uma vez doados, os valores não conferem a Musk direito legal de controlar sua aplicação. Birchall confirmou ainda que Musk liderou em 2017 uma proposta para adquirir a OpenAI, justificando a oferta como uma medida para evitar a desvalorização de ativos.
6. Microsoft e o questionamento sobre o timing
Representando a Microsoft, Russell Cohen destacou que Musk conhecia a parceria entre a empresa e a OpenAI desde 2020. A defesa levantou a questão de por que Musk esperou quatro anos, até o sucesso do ChatGPT, para caracterizar a aliança como antiética — ponto que o júri deverá considerar.
O episódio encerrou mais um capítulo do processo, com foco claro em provas documentais e argumentos sobre propriedade intelectual, doações e conduta empresarial, seguindo para fases subsequentes do julgamento.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6