O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) em entrevista exclusiva à India Today TV que a governança da inteligência artificial precisa ser rigorosa e conduzida por uma instância multilateral de alcance semelhante ao das Nações Unidas. A declaração foi dada durante sua estada em Nova Délhi (Índia), onde participa da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial.

Segundo o presidente, a regulação deve priorizar a proteção de grupos vulneráveis, citando especificamente crianças, adolescentes e mulheres. Lula ressaltou que a tecnologia tem grande importância para a humanidade, mas que seu uso precisa estar voltado para o benefício social e para a melhoria das condições de vida da população.

Posicionamento sobre propriedade e efeitos da IA

Lula alertou para o risco de concentração da tecnologia em mãos de poucos controladores e disse que a sociedade como um todo precisa assumir a responsabilidade sobre o desenvolvimento e aplicação da IA. Ele contestou a resistência de grandes plataformas contra medidas regulatórias e afirmou que, sem regras claras, o controle da tecnologia pode se perder, o que seria prejudicial à humanidade.

O presidente também destacou possibilidades de uso da IA em setores como saúde e educação, mas enfatizou a necessidade de cautela para evitar que ferramentas automatizadas substituam integralmente o trabalho humano.

Ministro da Saúde apresenta planos para IA no SUS

Na mesma sexta-feira, em Nova Délhi, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, expôs as propostas do ministério para incorporar inteligência artificial ao setor. Padilha participou do painel “IA para o Bem de Todos – Perspectivas brasileiras sobre o futuro da Inteligência Artificial” durante a cúpula.

O ministro afirmou que o país passa por uma reformulação digital na área da saúde e defendeu que o Sistema Único de Saúde (SUS) esteja na vanguarda do desenvolvimento de soluções tecnológicas com foco no cuidado das pessoas. Ele citou números relacionados a downloads do aplicativo Meu SUS Digital e mencionou a estrutura da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), além de afirmar que o Brasil possui o maior sistema público de saúde universal do mundo.

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Padilha apresentou exemplos de aplicações de IA no SUS, como sistemas para prevenir surtos de dengue e de síndromes respiratórias, ferramentas que aceleram diagnósticos por imagem e soluções para organizar filas de consultas e cirurgias. O ministro afirmou que o objetivo é ampliar investimentos em hospitais inteligentes, telemedicina e plataformas digitais, estimulando a inovação sem substituir os profissionais de saúde.

Ele finalizou defendendo uma inteligência artificial que seja não apenas eficiente, mas também justa, sábia e soberana para cada país, com destaque para a importância da cooperação internacional e para a necessidade de ampliar o acesso a inovações em saúde independentemente da condição econômica dos cidadãos.

Com informações de Olhardigital