O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, nesta quinta-feira (24), uma conversa telefônica com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, centrada na situação política da Venezuela. Durante o diálogo, ambos repudiaram intervenções externas no país vizinho e rejeitaram a ideia de dividir o mundo em zonas de influência controladas por grandes potências.

Segundo nota do Palácio do Planalto, Lula e Sheinbaum “reiteraram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio”, posicionando-se contra qualquer tentativa de limitar a soberania venezuelana. A manifestação ocorre poucos dias depois de militares dos Estados Unidos deterem o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, em operação realizada no sábado (19) em território venezuelano. O casal foi transportado para Nova York e permanece sob custódia.

Conversas paralelas sobre a Venezuela

Além do contato com a chefe de Estado mexicana, Lula conversou, também nesta quinta-feira, com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Nos três diálogos, o mandatário brasileiro buscou alinhar posições sobre a crise venezuelana e enfatizou a importância de respeitar a autodeterminação do país vizinho.

Convite para visita oficial

No telefonema com Sheinbaum, Lula convidou a presidente do México a visitar o Brasil. A data da viagem ainda será negociada pelas respectivas chancelarias. O encontro, segundo o Planalto, deverá aprofundar a cooperação bilateral em comércio, meio ambiente e políticas sociais.

Embora tenham tratado principalmente da Venezuela, Lula e Sheinbaum também destacaram a necessidade de fortalecer organismos regionais e fomentar o diálogo entre países latino-americanos para enfrentar desafios comuns. “Os dois líderes rejeitaram qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência”, reforça o comunicado oficial.

Imagem: Divulgação

A articulação diplomática brasileira ocorre em meio ao aumento de tensão após a detenção de Maduro. Governos latino-americanos manifestam preocupação com os desdobramentos do episódio, enquanto Washington ainda não se pronunciou sobre possíveis próximas etapas. Lula, Sheinbaum, Petro e Carney defendem que a crise seja conduzida sob parâmetros do direito internacional e por meio de mecanismos multilaterais.

As conversas telefônicas integram uma série de contatos que o governo brasileiro realiza para buscar consenso regional e evitar escalada do conflito. O Palácio do Planalto informou que novos diálogos com outros chefes de Estado estão previstos para os próximos dias.

Com informações de Infomoney