O Magazine Luiza alterou sua estratégia no comércio eletrônico em 2025, priorizando margem e geração de caixa em vez de ampliar agressivamente o volume de vendas online. A mudança, segundo o CFO Roberto Bellissimo, ocorreu diante do aumento da competição digital, em que rivais aceitaram margens menores para manter frete grátis e crescer a base de sellers.

No quarto trimestre, a decisão da companhia ficou refletida nos resultados: as vendas totais recuaram 1,1%, para R$ 18,2 bilhões, influenciadas por uma queda de 5,3% no e-commerce. As lojas físicas, por sua vez, avançaram 8,7% e ajudaram a amenizar a perda de ritmo do canal digital.

Apesar da desaceleração nas vendas, o Magalu apresentou Ebitda ajustado de R$ 867,3 milhões, com margem de 7,8%, lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões e geração de caixa operacional de R$ 2,2 bilhões ao final do trimestre.

Bellissimo afirmou que a companhia reduziu a exposição a categorias e produtos cuja dinâmica não fechava mais, privilegiando rentabilidade diante da concorrência mais agressiva. Como resultado, o grupo tem focado o comércio eletrônico em categorias com maior diferenciação, produtos de marca e maior nível de serviço, além de reduzir a participação de itens de tíquete baixo e de economia unitária negativa.

O recuo no online foi mais acentuado no marketplace, onde o Magalu comercializa terceiros. No trimestre, as vendas do e-commerce somaram R$ 12,2 bilhões, divididas entre R$ 7,6 bilhões em estoque próprio e R$ 4,6 bilhões no marketplace. Em base anual, o marketplace registrou queda de 11,7% no quarto trimestre e 8% ao longo de 2025, enquanto o e-commerce tradicional recuou 1% no trimestre e 3,9% no ano.

Para compensar a menor velocidade do online, a empresa realçou outras frentes de receita. As lojas físicas cresceram mais de 6% em vendas mesmas lojas no ano de 2025, e a companhia vê espaço para ganhar participação em bens duráveis, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Além disso, negócios como Luizacred, consórcio, MagaluPay, Magalog, Magalu Cloud e retail media têm maior peso no conjunto.

No consolidado de 2025, o Magalu alcançou R$ 64,7 bilhões em vendas totais, Ebitda ajustado de R$ 3,1 bilhões, lucro líquido ajustado de R$ 158,9 milhões e geração de caixa operacional de R$ 2,7 bilhões. A posição de caixa ao fim do quarto trimestre foi de R$ 8 bilhões no total e R$ 3,1 bilhões em caixa líquido ajustado.

Magazine Luiza reduz ritmo de expansão no e-commerce para preservar rentabilidade

Imagem: Divulgação

A melhora no capital de giro também contribuiu para a liquidez: a necessidade de capital de giro ajustada ficou negativa em R$ 3,9 bilhões em dezembro, a variação desse capital no trimestre aportou R$ 2 bilhões na geração de caixa operacional, os estoques caíram R$ 290,8 milhões e o giro reduziu para 80 dias, ante 91 dias um ano antes.

Sobre 2026, a companhia combina otimismo e cautela. Bellissimo aponta que a expectativa de queda de juros, a Copa do Mundo e um ambiente possivelmente mais favorável ao consumo podem ajudar, mas observa que a recuperação ainda não se mostrou claramente no início do ano e que a demanda por bens duráveis permanece pressionada.

IA que acelera vendas

O Magalu também aposta em tecnologia e inteligência artificial para impulsionar vendas. A empresa destaca o WhatsApp da Lu como canal com conversão de vendas até três vezes maior, atendimento mais fluido e custo de aquisição menor. No quarto trimestre, dos R$ 244,4 milhões investidos em tecnologia e áreas afins, 71% foram destinados a tecnologia. Bellissimo diz que a companhia tem usado modelos prontos de mercado para criar interfaces de venda mais eficientes, em vez de apostar pesadamente em infraestrutura própria.

O grupo afirma que a diversificação de negócios fez com que seu desempenho deixasse de depender exclusivamente do varejo online, reduzindo a exposição aos juros e ao ciclo econômico.

Com informações de Investnews