Um levantamento da empresa de análise de risco climático First Street divulgado em 18 de junho concluiu que 79% da capacidade mundial de data centers enfrenta alto risco de eventos climáticos severos, como enchentes, ventos extremos e incêndios florestais. A pesquisa avaliou 97 mercados de centros de processamento de dados ao redor do mundo.
Exposição a riscos agudos e crônicos
Além da ameaça a curto prazo, o estudo identificou que pouco mais da metade das instalações analisadas está situada em áreas sujeitas a estresses climáticos crônicos, incluindo calor extremo e secas prolongadas. Os pesquisadores alertam que essas condições podem comprometer a eficiência energética e elevar custos operacionais ao longo do tempo.
Impactos operacionais e financeiros
A First Street afirma que eventos climáticos intensos têm potencial para interromper operações e aumentar períodos de indisponibilidade dos sistemas, além de elevar despesas com seguros e reparos. Matthew Eby, CEO da First Street, destacou que os modelos tradicionais de avaliação de ativos físicos dependem excessivamente de registros históricos, o que limita a capacidade de prever riscos num cenário climático que já não segue os padrões do passado.
Jeremy Porter, economista-chefe da empresa, acrescentou que muitos dos modelos atualmente em uso não incorporam adequadamente os efeitos do clima, citando exemplos de sistemas governamentais que ainda consideram apenas níveis históricos de precipitação sem levar em conta o aumento da umidade atmosférica e das chuvas intensas associadas ao aquecimento global.
Implicações para investidores e planejamento
A análise lembra que investidores podem subestimar riscos de longo prazo ao tomar decisões com base em métricas tradicionais, sem considerar como o clima pode alterar as condições operacionais futuras. Isso é relevante porque data centers geralmente são projetados para operar por períodos de 20 a 30 anos. A First Street recomenda incorporar fatores climáticos nas decisões de financiamento e expansão para identificar mercados mais resilientes e evitar avaliações de risco inadequadas.
Medidas de adaptação
Parte do setor já tem adotado estratégias de adaptação. A Digital Realty, por exemplo, afirma que quase todos os cerca de 300 data centers da companhia utilizam sistemas de resfriamento que não consomem água por evaporação ou operam em circuito fechado. Porter observou que essas mudanças na construção reduzem riscos associados a eventos extremos, mas defendeu que desenvolvedores também considerem infraestrutura local, acesso, oferta de energia e características das comunidades ao redor.
Imagem: Divulgação
Variação regional de exposição
A região Ásia-Pacífico apresentou a maior exposição, com 89% da capacidade sujeita a riscos climáticos agudos. Nas Américas a taxa foi de 50%, enquanto Europa, Oriente Médio e África registraram 46% de exposição. O levantamento aponta que alguns mercados em rápido crescimento são também dos mais vulneráveis, como o norte da Virgínia (EUA), Johor (Malásia) e Marselha (França), enquanto os mercados nórdicos mostraram os menores níveis de risco.
De acordo com Porter, a maior parte dos dez mercados com maior exposição a riscos climáticos agudos está nos Estados Unidos, em grande parte devido à vulnerabilidade a ventos fortes e enchentes; porém, o país apresenta menor exposição a riscos climáticos crônicos quando comparado a outras regiões.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6