O estado do Pará tem ocupado destaque no cenário cultural brasileiro em 2025, com acontecimentos que vão desde a aclamação de Gaby Amarantos pelo álbum Rock Doido até a realização da COP30 em Belém e o crescimento da cantora Zaynara. No campo audiovisual, duas produções locais ganharam visibilidade ao abordar a violência sofrida por meninas: o longa-metragem Manas e a série Pssica.

Em Manas, a atriz Jamilli Corrêa, de 15 anos, interpreta Marcielle, uma jovem vítima de exploração sexual. A escolha de Jamilli para o papel aconteceu após oficina de elenco realizada em sua comunidade, o bairro do Limoeiro, em Belém. “Gravei um vídeo falando sobre o meu dia e fui chamada. Quando soube que seria a protagonista, fiquei em choque. Eu achava que não seria capaz”, revelou a atriz.

Já em Pssica, produção da Netflix baseada no livro de Edyr Augusto, a paraense Domithila Cattete, de 21 anos, dá vida a Janalice. Domithila cresceu entre dança, teatro e música, mas nunca imaginou que poderia atuar profissionalmente sem morar no eixo Rio–São Paulo. Inscrita de forma improvisada, ela enviou uma self-tape e, após diversas etapas de seleção, conquistou o papel principal.

Ambas as personagens mergulham em narrativas duras que retratam a violência contra meninas. Marcielle, vivida por Jamilli, enfrenta situações de abuso desde os 13 anos, e Janalice, interpretada por Domithila, relata experiências semelhantes em um universo de dor e resistência. As atrizes, ainda jovens, traduziram suas próprias histórias em performances que chamam a atenção para uma realidade presente fora das câmeras.

O êxito de Manas e Pssica reflete um movimento de representatividade no audiovisual brasileiro e destaca a capacidade da juventude paraense de transformar sofrimento em denúncia. Ao abordar temas sensíveis com objetividade, as produções reforçam o papel do cinema e das séries como instrumentos de conscientização social.

Imagem: Divulgação

O lançamento de Manas e Pssica provoca debate nacional sobre a urgência de discutir a violência contra meninas, rompendo o silêncio e ampliando as vozes de quem vive essa realidade.

Com informações de Capricho.abril