A escalada das tensões no Oriente Médio elevou o foco sobre a logística do setor de proteína animal brasileiro, com destaque para duas empresas com maior exposição à região: MBRF e Minerva. A instabilidade internacional aponta para riscos operacionais que podem afetar rotas de embarque e escoamento de produtos.
O impacto tem origem na relevância do mercado do Oriente Médio para o Brasil. O bloco responde por cerca de 25% das exportações brasileiras de frango, porcentagem que torna a MBRF — dona de marcas relevantes no segmento — particularmente sensível a alterações nas rotas comerciais.
No caso da carne bovina, dados do Itaú BBA indicam que aproximadamente 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, expondo a Minerva a possíveis dificuldades caso os fluxos logísticos se alterem de forma prolongada.
Até o momento não há confirmação de interrupção generalizada de embarques para essas empresas, mas a situação geopolítica evidencia um novo risco operacional. Movimentos como o fechamento do Estreito de Ormuz, citado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), já vêm afetando outras cadeias, como a do petróleo, e podem provocar mudanças no tráfego marítimo que impactem o setor de proteínas.
Além disso, há indicação de capacidade operacional reduzida no Canal de Suez, outro ponto de escoamento relevante. Diante desse cenário, produtores e exportadores precisarão buscar alternativas logísticas caso as rotas tradicionais fiquem comprometidas.
Como resposta imediata, países da região estão priorizando a produção local em detrimento de importações, e a MBRF já opera linhas de frango halal locais, voltadas ao consumo conforme regras islâmicas — fatores que podem amenizar pressões sobre vendas no curto prazo, desde que o conflito não se estenda por tempo significativo.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou que entre 30% e 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependiam de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, elevando os riscos na cadeia de suprimentos. Nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025, os volumes da Minerva destinados ao Oriente Médio representaram 9% das exportações totais da companhia.
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Em termos de preços, o Itaú BBA calcula que os spreads da carne bovina no Brasil — diferença entre o preço de venda e o custo da matéria-prima — caíram 5,6% no comparativo trimestral até o primeiro trimestre do ano. O recuo resulta de alta de 4,4% nos custos do gado e queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.
No mercado acionário, desde o começo de março as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perda de 12,6%, enquanto os papéis da Minerva (BEEF3) registraram baixa de 13,8% no mesmo período.
As empresas e o setor seguem monitorando as implicações logísticas do conflito e avaliando ajustes operacionais conforme a evolução das condições de tráfego marítimo e demanda regional.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6