Milhões de mulheres no Brasil vivenciam a menopausa, fase que costuma ocorrer entre 45 e 55 anos e que traz, além das manifestações físicas, mudanças significativas na saúde mental. A redução da produção dos hormônios sexuais no encerramento da vida reprodutiva interfere na química cerebral e pode afetar o humor, a motivação e a qualidade do sono, com impacto no trabalho, nas relações e nas tarefas diárias.

O que muda na saúde mental durante a menopausa e por quê

Na menopausa, as oscilações e a queda de estrogênio e progesterona influenciam neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, substâncias ligadas ao humor, ao sono e à concentração. Com menos estímulos dessas substâncias, surgem sintomas frequentes como cansaço persistente, dificuldade de foco, irritabilidade, sensação de tristeza, aumento da ansiedade e a chamada “névoa mental”, em que a pessoa se sente mais lenta ou distraída. Mulheres com histórico de depressão ou transtornos de ansiedade tendem a ficar mais vulneráveis, e fatores externos — excesso de trabalho, cobrança profissional e responsabilidades familiares — podem agravar o quadro.

Como esses sintomas aparecem no dia a dia

Na prática, a transição pode tornar tarefas rotineiras mais cansativas, reduzir a paciência e prejudicar o desempenho por causa do sono fragmentado. Há relatos de lapsos de memória recente, esquecimento de compromissos e dificuldade em acompanhar conversas, gerando insegurança no ambiente de trabalho e em situações sociais. Entre os sinais recorrentes estão mudanças bruscas de humor, perda de interesse por atividades habituais, preocupação excessiva, insônia e autocrítica intensa.

Estratégias para proteger a saúde mental na menopausa

O manejo envolve acompanhamento profissional, ajustes de rotina e suporte social. A psicoterapia oferece espaço para compreender as emoções e ressignificar essa fase; em casos de depressão ou ansiedade marcantes, médicos e psiquiatras podem avaliar a necessidade de medicação associada. Medidas práticas que costumam ajudar incluem:

Rotina de sono estruturada: manter horários regulares para dormir e reduzir exposição a telas à noite.

Atividade física regular: caminhadas, dança, natação, yoga ou musculação para liberar endorfinas e estabilizar o humor.

Alimentação balanceada: priorizar frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas e fontes de cálcio.

Redução de álcool e cafeína: limitar substâncias que prejudicam sono, aumentam ansiedade e intensificam ondas de calor.

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Práticas de relaxamento: meditação, exercícios de respiração e alongamentos diários para diminuir a tensão.

Consultas regulares com ginecologista ou endocrinologista permitem avaliar, de forma individualizada, opções como terapias hormonais ou alternativas não hormonais para aliviar sintomas físicos e, consequentemente, a sobrecarga emocional.

Rede de apoio e informação

Conversar sobre a menopausa e seus efeitos emocionais ainda é um desafio em muitos ambientes, mas criar uma rede de apoio com amigos, familiares, colegas e profissionais de saúde reduz o isolamento. Grupos presenciais ou on-line possibilitam troca de experiências e estratégias práticas. Comunicar limites e necessidades no trabalho e em casa ajuda a ajustar expectativas. Se os sinais emocionais comprometerem rotina, produtividade ou relacionamentos, a recomendação é procurar ajuda especializada.

Perguntas frequentes: outros sintomas comuns

Além dos efeitos emocionais e cognitivos, a menopausa pode trazer diversas outras manifestações. Entre elas estão dores articulares e musculares, palpitações associadas a ondas de calor, alterações do trânsito intestinal como constipação, maior frequência de dores de cabeça ou enxaqueca, queda de cabelo e unhas fracas, sensação de formigamento em mãos e pés, elevação do risco de hipertensão com o envelhecimento, perda de massa óssea que aumenta o risco de osteoporose e secura vaginal que pode causar dor nas relações. Também podem ocorrer alterações na saúde bucal, como diminuição da saliva e maior propensão a mau hálito. Em todos esses casos, é importante a avaliação médica para diferenciar sintomas ligados ao climatério de outras condições e definir tratamentos ou medidas preventivas.

Com informação adequada, acompanhamento profissional e hábitos saudáveis, é possível reduzir sintomas e organizar cuidados para esta etapa da vida.

Com informações de Correiobraziliense