O mercado financeiro abriu a segunda-feira, 6 de abril, com níveis elevados de apreensão diante do ultimato do presidente Donald Trump ao Irã. Trump ameaçou destruir usinas elétricas e pontes iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até amanhã às 20h, horário de Brasília. Em entrevista à Fox News no domingo, o presidente disse haver “boas chances” de um acordo ser firmado ainda nesta segunda-feira.

Cenário regional

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completa seis semanas. Nesse período, Teerã intensificou ataques contra países do Golfo Pérsico que abrigam bases e instalações militares americanas. No domingo, drones iranianos atingiram alvos no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein, provocando danos significativos a plantas petroquímicas, usinas de energia e estações de dessalinização. A Guarda Revolucionária iraniana assumiu a autoria desses ataques.

As ações iranianas ocorreram um dia depois de Israel ter atacado uma planta petroquímica no Irã que, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, arrecadava recursos para financiar o esforço de guerra iraniano. O Exército israelense também informou ter realizado “uma onda de ataques” sobre Teerã.

Impacto nos preços e na oferta

O preço do petróleo pressionou os mercados nas últimas sessões: o Brent alcançou US$ 141,36 por barril na quinta-feira passada, o nível mais alto desde a crise financeira de 2008, acumulando alta de cerca de 50% desde o início do conflito. O petróleo americano WTI subiu aproximadamente 66% no mesmo período e era negociado a US$ 111,20 na noite de domingo, horário de Nova York. A decisão do grupo OPEC+ de aumentar as cotas de produção em 206 mil barris por dia para maio tem efeito limitado diante da escala da crise, segundo analistas.

Especialistas alertam que a duração do conflito já elevou pressões inflacionárias globalmente e que uma escalada adicional poderia transformar o choque de oferta em recessão mundial.

Perspectivas domésticas e indicadores

No Brasil, a edição mais recente do Relatório Focus divulgada nesta manhã indica nova alta nas expectativas de inflação para 2026. A projeção do IPCA para este ano subiu para 4,36%, ante 4,31% na semana anterior; há quatro semanas a estimativa era de 3,91%.

Apesar da tensão geopolítica, o petróleo Brent operava em leve queda na manhã de hoje, cotado a US$ 108 por barril, recuo de 0,8%, enquanto contratos futuros dos principais índices americanos apresentavam alta moderada.

Indicadores previstos

BRASIL

Relatório Focus

Imagem: Divulgação

PMI Composto S&P Global (Mar) — Esperado: ND; Anterior: 51,3

PMI do Setor de Serviços S&P Global (Mar) — Esperado: ND; Anterior: 53,1

ESTADOS UNIDOS

PMI ISM Não-Manufatura (Mar) — Esperado: 54,8; Anterior: 56,1

ISM Não-Manufatura: Preços (Mar) — Esperado: ND; Anterior: 63,0

A cobertura segue acompanhando a evolução das negociações e dos impactos nos preços de commodities e nas projeções inflacionárias.

Com informações de Forbes