Pesquisadores da Universidade de Sussex, na Inglaterra, detectaram microplásticos em fezes de ouriços europeus e identificaram a alimentação industrializada como provável rota de exposição. A investigação, iniciada em 2021 com coletas em jardins residenciais e centros de reabilitação, teve seus resultados divulgados na última terça-feira (23) no The Conversation.
O estudo analisou amostras ambientais e alimentares em várias regiões do Reino Unido, com foco na região de Sussex, e foi publicado no periódico Environmental Toxicology and Chemistry. Foram examinados solos, milhares de invertebrados e alimentos destinados a animais domésticos e silvestres para rastrear a origem das partículas plásticas.
Como o estudo foi conduzido
Os cientistas examinaram 189 amostras de fezes de ouriços coletadas em jardins e centros de reabilitação, encontrando partículas plásticas em 19% dos casos. Para mapear possíveis fontes, a equipe analisou solo e invertebrados de 51 locais em Sussex, constatando presença disseminada de plástico em diferentes espécies e ambientes.
Em paralelo, os pesquisadores testaram a alimentação fornecida por humanos a animais, em especial rações para gatos, cães e para ouriços. Foram avaliadas 38 marcas comerciais, com seis unidades de cada produto; 29 das marcas apresentaram contaminação por microplásticos. A incidência foi maior em produtos de menor custo.
Os resultados indicaram que alimentos secos continham maior número de partículas por grama, embora a ingestão total possa ser superior em rações úmidas devido à quantidade consumida. Os cientistas estimaram que um cão de grande porte poderia ingerir centenas de partículas por dia apenas pela dieta.
O estudo também apontou níveis de microplásticos mais elevados nas rações quando comparados a alimentos destinados ao consumo humano e observou maior frequência de contaminação em produtos com derivados animais.
Imagem: Divulgação
Os autores alertam que a alimentação industrializada representa uma via relevante de exposição para animais domésticos e silvestres. Embora os efeitos à saúde não estejam totalmente esclarecidos, há indícios laboratoriais de possíveis impactos em funções biológicas essenciais.
A equipe recomenda medidas preventivas, incluindo maior controle da contaminação na produção de alimentos para animais e a adoção de testes obrigatórios para microplásticos em produtos processados, com o objetivo de reduzir riscos ambientais e biológicos.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6