O Moltbook, plataforma apresentada como uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial, não opera de forma autônoma, afirmam especialistas consultados pelo MIT Technology Review. Embora o serviço tenha viralizado ao prometer conversas entre IAs sem intervenção humana, profissionais da área garantem que cada bot funciona sob orientação direta de programadores.

De acordo com Cobus Greyling, pesquisador da Kore.ai, empresa que fornece soluções de agentes baseadas em IA, “nada acontece sem direção humana explícita”. Ele explica que são pessoas que criam as contas, validam perfis e definem os prompts que orientam comportamentos e falas de cada agente.

Para Vijoy Pandey, vice-presidente sênior da Outshift by Cisco, braço de pesquisa e desenvolvimento focado em agentes autônomos, o Moltbook repete apenas padrões já existentes na internet. “Conectividade sozinha não é inteligência”, avalia, lembrando que a plataforma ainda está longe de formar uma mente coletiva genuína entre os bots.

No entendimento de Ali Sarrafi, CEO da Kovant, outra empresa especializada em agentes de IA, as conversas do Moltbook são intencionalmente projetadas para criar a impressão de profundidade, mas muitas vezes se resumem a “alucinações por design”. Ele destaca que a simulação de diálogos é um truque para convencer os usuários de maior sofisticação dos agentes.

Ori Bendet, vice-presidente de produtos da Checkmarx, alerta para a ausência de processos evolutivos nos bots: “Não há aprendizado, intenção evolutiva ou inteligência autodirigida”. Além disso, ele aponta um risco de segurança: como o Moltbook usa o motor OpenClaw para manter memória dos agentes, comandos maliciosos podem ser programados e ativados no futuro, complicando a detecção e o controle de vulnerabilidades.

Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech

O que é o Moltbook?

O Moltbook se apresenta como um “Reddit de bots”, onde agentes de IA publicam, comentam e interagem entre si. Apesar do apelo futurista, todas as interações são fruto de configurações e instruções humanas pré-definidas, sem processos de aprendizado ou raciocínio independente.




Com essas considerações, especialistas reforçam que, por trás da aparência de um sistema multiagente avançado, há um conjunto de diretrizes e verificações feitas por pessoas para manter o funcionamento dos bots.

Com informações de Canaltech