TRANSMISSÃO: r Senna Virou Missão Impossível apareceu primeiro em Forbes Brasil | Record | Band

As últimas cinco voltas do Grande Prêmio de Mônaco de 1992 ficaram marcadas como uma das defesas mais brilhantes da história da Fórmula 1, quando Ayrton Senna conteve a investida de Nigel Mansell e manteve a liderança até a bandeirada.

O episódio ocorreu em Monte Carlo, em 1992, quando Mansell liderava a temporada com a Williams FW14B, considerada o carro mais rápido do grid naquele ano. A corrida parecia caminhando para mais uma vitória tranquila do britânico até a volta 72, quando uma porca de roda solta obrigou Mansell a uma parada extra nos boxes. A parada foi rápida, mas suficiente para deixá-lo pouco mais de cinco segundos atrás de Senna ao retornar à pista.

Vantagem dos pneus e recuperação

Mansell voltou com um conjunto novo de pneus macios, enquanto Senna seguia com pneus mais desgastados, o que, na teoria, reduzia a diferença de desempenho. Nas voltas seguintes, Mansell tirou vantagem da aderência superior para reduzir o gap: em poucas voltas a diferença caiu para cerca de dois segundos e, logo depois, o britânico já seguia na esteira da McLaren de Senna.

Defesa cirúrgica de Senna

Ao perceber a aproximação, Senna abandonou a tática de administrar ritmo e passou a defender a posição. Em Mônaco, a largura do traçado e as poucas oportunidades de ultrapassagem tornam a posição de pista determinante; Senna, com quatro vitórias em Mônaco nos cinco anos anteriores, dominava esse conceito.

Mansell tentou todas as alternativas — aproximações nas frenagens de Sainte Devote, acelerações por Massenet e Casino Square e ganhos de tração na saída de Portier rumo ao túnel — apoiado pela superior performance em reta e pelos pneus novos. Sempre que a Williams ameaçava o ataque, Senna fechava a linha ideal. Na freada da Nouvelle Chicane, na penúltima volta, Senna freou tarde e colocou o carro de lado para negar a ultrapassagem por dentro; manobras semelhantes ocorreram na Rascasse e na curva Anthony Noghes.

Imagem: Pascal Rondeau / Getty

Na volta final, Mansell vinha colado à traseira da McLaren, a menos de um carro de distância, mas não encontrou uma oportunidade clara de passagem sem arriscar colisão — um risco elevado nas barreiras apertadas de Mônaco.

Ao fim, Senna cruzou a linha de chegada com apenas 0,2 segundo de vantagem, resultado que neutralizou a superioridade do carro e dos pneus de Mansell nas voltas decisivas. A sequência ressaltou a importância da posição na pista, da disciplina na pilotagem e da interação entre estratégia e condição dos pneus em circuitos onde ultrapassar é particularmente difícil.

Para Mansell, a prova representou uma chance perdida em uma temporada na qual ainda assim conquistaria o campeonato de pilotos. Para Senna, reforçou sua reputação em Mônaco, onde viria a somar um número recorde de vitórias.

Com informações de Forbes