Cientistas localizaram uma espécie de morcego considerada capaz de abrigar vírus com potencial para provocar um novo surto humano, segundo um estudo recente divulgado na revista Nature. A pesquisa mapeou a relação evolutiva entre mamíferos e a compatibilidade viral com a biologia humana, permitindo identificar quais linhagens exigem monitoramento reforçado.

O que foi descoberto

O estudo aponta que o risco de transmissão de patógenos de morcegos para humanos não é homogêneo entre as espécies. Pesquisadores aplicaram sequenciamento genômico e cruzamento de dados sobre vírus conhecidos para determinar quais grupos de morcegos carregam coquetéis virais mais próximos da capacidade de infectar células humanas sem mutações extensivas.

Como os pesquisadores avaliaram o risco

O trabalho combinou três abordagens principais: análise aprofundada da árvore evolutiva dos mamíferos por meio de sequenciamento genômico; filtragem de bases de dados relacionando vírus documentados à proximidade filogenética; e a criação de alertas localizados para vigilância intensiva em áreas de maior contato entre humanos e morcegos. Amostras não invasivas de saliva e fezes foram usadas para rastrear a circulação de vírus em ambientes naturais.

Quais famílias representam maior preocupação

O estudo destaca famílias específicas como foco de atenção. Entre elas, os Pteropodidae foram classificados com nível de risco crítico e associados a henipavírus e filovírus. Os Rhinolophidae receberam avaliação de risco alto, sobretudo por ligação a coronavírus do grupo Sarbecovírus. A família Molossidae aparece com risco moderado, principalmente em relação a vírus da raiva.

Onde o risco é maior e por quê

Regiões com grande diversidade de morcegos e forte pressão sobre habitats naturais — como o Sudeste Asiático, a África Subsaariana e partes da Amazônia — foram apontadas como “hotspots”. A fragmentação de ecossistemas e o avanço do desmatamento para atividades agrícolas aumentam o contato entre animais silvestres e áreas humanas. Quando os recursos naturais escasseiam, morcegos podem se aproximar de pomares e plantações, elevando a chance de transmissão para animais domésticos e pessoas.

Imagem: Divulgação

Medidas recomendadas

Os autores defendem manutenção de ecossistemas intactos e vigilância genômica contínua para reduzir a probabilidade de saltos entre espécies. Políticas integradas de saúde humana, animal e ambiental — a abordagem conhecida como Saúde Única — são citadas como essenciais para mapear riscos antes que virem emergências.

A pesquisa sublinha que diferenciar espécies de risco e concentrar recursos de monitoramento em alvos biológicos específicos são passos fundamentais para prevenir futuros surtos relacionados a morcegos.

Com informações de Olhardigital