Um estudo publicado na revista Life Sciences mostra que o treinamento de força altera a resposta hepática em camundongos obesos. A pesquisa, citada em matéria da Fitness Brasil por Aylton Figueira Junior em 24/7/2026, investigou como sinais provenientes do músculo influenciam processos moleculares no fígado.

Quem, o que e como

Pesquisadores usaram camundongos Swiss obesos distribuídos em três grupos: controle (CTRL), obeso sedentário (SOB) e obeso treinado (TOB). O grupo TOB realizou oito semanas de treinamento de força. Ao final do protocolo, os autores relataram uma reorganização hepática envolvendo sensibilidade à insulina, função mitocondrial, remodelamento tecidual e regulação epigenética.

Principais achados

1. Melhora na sinalização da insulina pela via AKT
O treinamento aumentou a fosforilação da proteína AKT no fígado, o que indica recuperação da via de sinalização da insulina. Segundo os autores, isso favorece o controle hepático da produção e liberação de glicose, um ponto crítico na obesidade e na fisiopatologia do diabetes tipo 2.

2. Redução de CDK4 e CDK6
Houve diminuição na expressão das proteínas CDK4 e CDK6, ligadas ao ciclo celular. Os pesquisadores interpretam essa redução como sinal de menor desorganização e menor estado de alerta celular em ambiente de agressão metabólica.

3. Menor atividade da MMP2
A atividade da metaloproteinase MMP2 foi reduzida no grupo treinado. Como a MMP2 participa do remodelamento da matriz extracelular, essa queda é apontada como potencial proteção contra processos que levam à fibrose hepática.

4. Aumento de ATP5 e maior capacidade energética
O estudo registrou aumento da proteína ATP5, associada à produção de energia mitocondrial. Esse achado sugere recuperação da capacidade energética das mitocôndrias hepáticas em animais submetidos ao treinamento de força.

5. Modulação epigenética do gene MTCH2
Os autores observaram modulação epigenética na região promotora do MTCH2, gene relacionado ao metabolismo energético e função mitocondrial. A alteração epigenética implica mudança na regulação do gene sem alteração na sequência do DNA.

Musculação altera funcionamento molecular do fígado em camundongos obesos, diz estudo

Imagem: Milan Markovic

Implicações e limites

Os pesquisadores destacam que os resultados apontam para efeitos sistêmicos do músculo em contração, que vão além dos ganhos de força e hipertrofia e alcançam órgãos como o fígado. Ainda assim, os autores alertam que o estudo foi realizado em camundongos, o que impede transferir automaticamente os achados para humanos.

Os autores da pesquisa são citados na referência: Da Costa Fernandes, C. J. et al. Epigenetically modulated MTCH2 and regulated ATP5 in the liver of obese mice subjected to strength training. Life Sciences, 384, 124105, 2026. DOI: 10.1016/j.lfs.2025.124105.

Com informações de Fitnessbrasil