O Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland (EUA), informou no dia 21 de abril que a montagem do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman foi concluída. Após mais de uma década de desenvolvimento e integração, o equipamento entrou na fase de testes finais e preparação para o lançamento, previsto para setembro.

Nomeado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, pioneira da agência em astronomia espacial e primeira mulher a ocupar um cargo executivo na NASA, o telescópio teve sua integração final realizada em uma sala limpa, onde foram reunidos os componentes ópticos, eletrônicos e estruturais. Com a montagem encerrada, a missão segue agora para as verificações pré-lançamento.

Expectativa por descobertas inesperadas

Durante a apresentação da conclusão do trabalho, a cientista sênior do projeto, Julie McEnery, ressaltou que além de responder questões conhecidas, o observatório foi concebido para revelar fenômenos ainda não previstos pela astronomia atual. Ela afirmou esperar que as descobertas mais importantes sejam justamente aquelas que hoje não se pode antecipar.

Capacidades do Roman

O Nancy Grace Roman integra a nova geração de telescópios espaciais ao lado de observatórios como Hubble, James Webb (JWST), SPHEREx e Euclid (ESA), operando em faixas de luz complementares. Seu espelho primário tem 2,4 metros de diâmetro, semelhante ao do Hubble, mas o diferencial está no amplo campo de visão: cada imagem cobre cerca de 100 vezes mais área. Segundo a NASA, isso permitirá levantamentos do céu até mil vezes mais rápidos que os do Hubble.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que o Roman poderá juntar em aproximadamente um ano o volume de dados que o Hubble levaria milhares de anos para obter, e que as imagens terão dimensão e complexidade que exigirão novas técnicas de análise e processamento.

O principal instrumento do telescópio é o Instrumento de Campo Amplo (WFI), uma câmera de 300 megapixels que opera na luz visível e no infravermelho próximo. O sistema inclui também um espectrógrafo sem fenda, capaz de analisar a luz de objetos distantes para identificar propriedades físicas e químicas. Essa configuração permite varreduras contínuas de grandes áreas do céu, aumentando a chance de detectar eventos de curta duração, como supernovas, colisões de estrelas de nêutrons e rajadas rápidas de rádio.

Dominic Benford, cientista do programa Roman, informou que a missão deve registrar milhares de supernovas ao longo de sua operação, contribuindo para traçar a história do Universo por meio desses eventos.

Imagem: NASA

Objetivos científicos e do coronógrafo

Um dos objetivos centrais do projeto é investigar a matéria escura e a energia escura, que, juntas, representam cerca de 95% do Universo e são fundamentais para entender a estrutura das galáxias e a expansão acelerada do cosmos. Com seu amplo campo de visão, o Roman poderá mapear bilhões de galáxias e analisar sua distribuição no espaço e no tempo.

O telescópio também inclui um coronógrafo, instrumento projetado para bloquear a luz intensa de estrelas e permitir a observação direta de exoplanetas. A NASA afirma que o coronógrafo será capaz de detectar planetas até 100 milhões de vezes mais fracos que suas estrelas, representando avanço na busca por mundos fora do Sistema Solar.





Após os testes finais, o Roman será transportado ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, onde será integrado ao foguete Falcon Heavy, da SpaceX, para o lançamento. Antes do envio ao espaço, o telescópio já passou por testes de vibração intensa, variações extremas de temperatura e simulações acústicas para garantir sua resistência ao lançamento e às condições espaciais.

Depois do lançamento, o observatório será colocado em órbita no ponto de Lagrange 2 (L2), a cerca de um milhão de quilômetros da Terra, local que oferece estabilidade gravitacional, observações contínuas e facilidade de comunicação com as equipes em solo.

Com informações de Olhardigital